Núcleo de Estudos Agostinianos

Coordenação: Dr. Andrei Venturini Martins

Santo Agostinho (354-430) foi um dos grandes pensadores do ocidente. Em sua vastíssima obra, filosofia e teologia estão muito próximas, como “duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” (João Paulo II. Fides et Ratio). Ao buscar reunir o Deus de Abraão, Isaac e Jacó e o Deus dos filósofos e dos sábios, aproximando fé e razão, o bispo de Hipona deparou-se com inúmeros temas que perpassaram pela história da Filosofia e da Teologia: o corpo, a imaginação, a memória, os sonhos, o conhecimento, o mal, o livre-arbítrio, a liberdade, a natureza, a graça, a lei, a predestinação, a interioridade, a sabedoria e Deus. A maior parte de seus livros foram escritos a partir de controvérsias com as mais variadas doutrinas de sua época, entre as quais encontram-se o maniqueísmo e o pelagianismo. O mérito de Agostinho foi dar forma àquilo que poder-se-ia chamar de ortodoxia da Igreja Católica. Como pensador paradigmático da antiguidade tardia, ganhou um lugar relevante na tradição cristã, sendo considerado um Padre da Igreja, ou seja, uma testemunha autorizada da fé. Por esse motivo, sua obra era uma leitura comum entre reformadores e contrarreformadores nas controvérsias teológicas da modernidade: Lutero era um monge agostiniano; Calvino era um leitor assíduo de Agostinho; Jansenius, apesar de dizer que não apresentava nenhuma novidade teológica, gabava-se de seguir as pegadas do “Doutor da Graça”; os Molinistas e Dominicanos citavam inúmeras passagens das obras do Bispo de Hipona no debate sobre a graça no século XVII. Porém, tais pensadores, apesar de beberem da mesma fonte, divergiam quanto às interpretações da obra de Agostinho, dando origem às mais variadas e controvertidas linhas teológicas. Hoje, apesar dos inúmeros estudos voltados aos grandes temas agostinianos, sabe-se que estamos diante de uma obra ainda em aberto, capaz de oferecer os recursos necessários para todos aqueles que desejam refletir o conturbado século XXI. Diante disso, a PUC-SP, por meio da Cátedra Santo Agostinho, ocupada pelo Prof. Dr. Luiz Felipe Pondé, promove o Núcleo de Estudos Agostinianos, um espaço de leitura e reflexão voltado para todos aqueles que desejam investigar a obra de Santo Agostinho e seus ecos históricos.

Reuniões: segundas-feiras, das 15h às 17h. Dias 12 e 19 de agosto, 02 e 16 de setembro, 07 e 28 de outubro, 04 de novembro.

Andrei Venturini Martins é Doutor em Filosofia (PUC-SP), professor no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e coordenador do Núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC/SP. É autor das seguintes obras: comentário e tradução da obra Discurso da Reforma do Homem Interior de Jansenius (Ed. Filocalia, 2016); Do Reino Nefasto do Amor Próprio (Ed. Filocalia, 2018); O que é o Homem? (Editora CRV, 2018); A Verdade é Insuportável (Ed. Filocalia, 2019, prelo); Joaquim Nabuco: um abolicionista liberal do Brasil (Ed. Filocalia, 2019, prelo).

Inscrições: https://forms.gle/827MCitjSwELaMDc8