Sala Nelson Rodrigues

Obras de Nelson Rodrigues que versam sobre sua paixão pelo futebol

À SOMBRA DAS CHUTEIRAS IMORTAIS
(Organizado por Ruy Castro, Companhia das letras, 1993)

Em crônicas escritas entre 1955 e 1970, publicadas na Manchete Esportiva e em O Globo, Nelson comenta o futebol carioca e a seleção brasileira até o tricampeonato mundial. Nessa época, Nelson era frequentador assíduo do Maracanã e muitas crônicas retratam o Rio de Janeiro e seus costumes, no período que vai do final dos anos dourados de Capital Federal até a Guanabara de 1970.

A visão dramática que Nelson Rodrigues tem do futebol está sempre presente. Mais que um jogo, para ele o futebol é um retrato de nossa humanidade profunda, com suas grandezas e misérias. As circunstâncias, os acontecimentos durante a partida e os resultados são descritos como uma ópera, um folhetim ou uma epopeia. O Fla-Flu que começou 40 minutos antes do nada, a tragédia clownesca de Garrincha, a arte de Pelé, se entrelaçam com a grã-fina das narinas de cadáver, Otto Lara Resende e o escrete brasileiro.

A PÁTRIA EM CHUTEIRAS
(Organizado por Ruy Castro, Companhia das Letras, 1994)

Essas crônicas cobrem um período que vai de 1955 até 1978, da Manchete Esportiva ao O Globo. Ao contrário do que o título possa induzir, o tema não é exclusivamente a seleção brasileira, embora haja destaque para os três campeonatos mundiais conquistados pelo Brasil em 1958, 1962 e 1970.

Presentes muitas obsessões de Nelson: os cretinos fundamentais, o óbvio ululante, os idiotas da objetividade.

Nelson tem plena consciência do valor identitário do futebol jogado no Brasil e percebe no estilo de certos jogadores e no seu modo de jogar uma alta realização cultural brasileira.

FLA-FLU: E AS MULTIDÕES DESPERTARAM
(Organizado por Oscar Maron Filho e Renato Ferreira, Editora Europa, 1987)

Reunião de crônicas sobre o grande clássico do futebol brasileiro, escritas por Nelson e seu irmão Mário Filho, publicadas em diversos jornais e revistas do Rio de Janeiro entre a metade da década de 1950 até o final dos anos 1970 – embora os organizadores não indiquem precisamente onde e quando foram publicadas.

O livro tem um critério de seleção que vai direto à dimensão mítica que Nelson vê no Fla-Flu, expressão criada por Mário Filho para divulgar o jogo. Com fotografias de partidas desde os anos 1910 até a década de 1980, ilustrações e charges, a obra é de leitura fascinante, algo para se ter e ler sempre.

O BERRO IMPRESSO DAS MANCHETES
(Organizado por Marcos Pedrosa de Souza, Editora AGIR, 2007)

Reunião de todas as crônicas escritas por Nelson Rodrigues na Manchete Esportiva entre 1955 e 1959, cujos assuntos principais são os campeonatos cariocas, torneios Rio-São Paulo, jogos da seleção brasileira e a visão de Nelson sobre vários craques da época. Livro fundamental para compreender o que o era o Brasil e o futebol na década de 1950. Os irmãos Rodrigues estavam no centro da publicação: Mário era o diretor, Nelson o redator-chefe e Paulo o chefe de reportagem.

O REACIONÁRIO
(Organizado por Ruy Castro, Companhia das Letras, 1995)

Embora não seja exclusivamente uma seleção de crônicas sobre futebol, estão no livro alguns dos mais geniais e pungentes textos de Nelson Rodrigues sobre Garrincha e o futebol brasileiro. Também é personagem importante o Rio de Janeiro e seus tipos humanos que, junto aos amigos reais ou criados, circulam com Nelson pelo hall dos elevadores e as cadeiras do Maracanã, as redações de jornais e restaurantes da Zona Sul carioca.

BRASIL EM CAMPO
(Organizado por Sonia Rodrigues, Editora Nova Fronteira, 2012)

Nesse livro está, talvez, a maior das obsessões de Nelson: O Brasil e os brasileiros. O tema frequente é a seleção e a obstinação de Nelson em mostrar a profunda identidade do futebol com o Brasil e o seu povo. Longe do patriotismo áspero de “bigodudo granadeiro”, Nelson ressalta a beleza e a originalidade do futebol brasileiro em contraste com aquele que é jogado em outros países. Em diversas crônicas, Nelson reafirma que o nosso futebol é o melhor do mundo e foi fundamental na superação do complexo de cachorro vira-lata e na valorização da autoestima do brasileiro.

O PROFETA TRICOLOR: CEM ANOS DE FLUMINENSE
(Organizado por Nelson Rodrigues Filho, Companhia das Letras, 2002)

Crônicas exclusivamente dedicadas ao Fluminense, reunidas em comemoração ao centenário do clube. Escritas por aquele que dizia ser o maior de todos os tricolores, o livro traz personagens geniais criados por Nelson e que habitavam tão somente o mundo do futebol, como Sobrenatural de Almeida, Gravatinha e o Profeta.

O FUTEBOL EM NELSON RODRIGUES. O ÓBVIO ULULANTE, O SOBRENATURAL DE ALEMIDA E OUTROS TEMAS
(Autor: José Carlos Marques, Editora da PUC-SP, 2012)

Uma análise das crônicas sobre futebol, tanto daquelas já publicadas como das que o autor pesquisou e continuavam inéditas em livro. O estudo desvenda aspectos da obra de Nelson que costumam ficar obscurecidos por certo preconceito acadêmico que vê nas crônicas sobre futebol um gênero menor e circunstancial.

O autor estabelece um interessante paralelo com as formulações do escritor cubano Severo Sarduy sobre o neobarroco e arrisca uma semiologia dos escritos de Nelson, hipérboles intensas e metáforas lancinantes, estilo que para ele caracterizam o neobarroco latino-americano.

Dizia Nelson que, no Brasil, o futebol é que faz o papel da ficção.