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Na política do ceticismo, o governo é como bom humor e sátira; um não nos levará ao céu e o outro não revela "verdade", mas o primeiro pode nos salvar do inferno e o segundo, da estupidez.

É com muito orgulho que o Núcleo de Filosofia Política, do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ, inaugura a Sala Michael Oakeshott, no site off-lattes, dedicada à obra do filósofo britânico, tendo por objetivo ser uma referência na pesquisa sobre o autor no Brasil.

Para isso, a Sala manterá e continuamente acrescentará materiais de referência dos mais variados tipos sobre a vida e a obra de Oakeshott.

Serão disponibilizados aqui os textos produzidos pelos membros do Núcleo de Filosofia Política, à medida em que as pesquisas e estudos dos textos de Oakeshott vão avançando. Também serão referenciados textos produzidos por pesquisadores brasileiros de outras instituições, nacionais e internacionais, bem como outros tipos de material que tragam conhecimento sobre Michael Oakeshott e sua obra, sejam eles artigos, resenhas, vídeos, podcasts e outros tantos materiais que venham a ser localizados.

Caso você conheça ou possua materiais que queira indicar para colaborar com a ampliação contínua da Sala Michael Oakeshott, ou mesmo se tiver interesse em participar do Núcleo de Filosofia Política e desenvolver pesquisas, entre em contato pelo email do Labô: labo@pucsp.br

Sobre Michael Oakeshott

Michael Oakeshott (1901–1990) foi um importantíssimo pensador britânico que pesquisou e lecionou filosofia política e história do pensamento político. Oakeshott se graduou em Cambridge onde também foi professor. Depois de servir nas forças britânicas durante a II Guerra Mundial, leciona em Cambridge novamente, depois brevemente em Oxford até que obtém a cadeira de Ciência Política na London School of Economics, onde permanece até se aposentar e, mesmo depois, como colaborador.

Pensador de caráter cético, é considerado um filósofo conservador, mas à medida em que sua obra foi sendo estudada, vieram à tona importantes aspectos liberais de seu pensamento.

A obra que o consagrou como filósofo é “Experience and its Modes”, mas aquela que o tornou conhecido como profundo pensador da filosofia política é “Rationalism in Politics”, que além de importante ensaio é o título de uma coletânea de artigos que constituem um panorama muito abrangente de seu pensamento.

Oakeshott escreveu sobre muitos temas além da filosofia política em si, como história, educação, jurisprudência, moral, dentre outros. Mais recentemente, editores têm trazido ao público muitos textos inéditos de Oakeshott, os quais têm enriquecido muito a pesquisa sobre sua obra e pensamento.

O Brasil começou a conhecer Oakeshott há pouco. Ainda temos poucos títulos publicados em português, mas isso deve mudar em um tempo muito breve.

O Núcleo de Filosofia Política do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ, está dedicado ao estudo da obra de Oakeshott e tem como um de seus objetivos torná-lo conhecido do público brasileiro, tanto o acadêmico, quanto os interessados em geral.

O Núcleo de Filosofia Política entende que este autor é fundamental, não apenas para os estudiosos de língua inglesa e da grande tradição filosófica britânica, mas também para o público brasileiro, na medida que aporta perspectivas de pensar a política importantes e necessárias ao ambiente intelectual e político nacional.

Oakeshott e a nêmesis da política – por Luiz Felipe Pondé *

Michael Oakeshott (1901-1990), no seu “A Política da fé e a política do ceticismo”, publicado no Brasil pela É Realizações em 2018, desenvolve um conceito essencial para o debate político contemporâneo, debilitado na sua operação intelectual pela polarização da estupidez. Trata-se do conceito de nêmesis na política.

No âmbito da obra em questão, Oakeshott descreve a polarização entre o pensamento político baseado na fé numa razão política capaz de grandes engenharias sociais, por um lado, e, por outro, oposto a esta, o pensamento político baseado no ceticismo atroz em relação a qualquer capacidade racional de lidar com a realidade. Evidente que no primeiro temos uma linhagem revolucionária, e no segundo uma cética conservadora.

A importância da Nêmesis (aqui como metáfora da deusa grega da vingança e da justiça distributiva), como efeito colateral da polarização radical entre fé e ceticismo na política, é a destruição de ambas as atitudes como ganho teórico e de ação na gestão política: a fé se releva como a desmedida da vaidade daquele que prega a fé na política, enquanto que o ceticismo se revela como a inércia daquele que nada quer fazer para melhorar a sociedade em que vive. A Nêmesis aqui seria justamente o ponto de inflexão em que cada um dos polos se torna destrutivo, isto é, a vingança contra o excesso da polarização, e a destruição de cada um dos polos. A Nêmesis ri da estupidez da fé e do ceticismo.

Portanto, nunca foi tão importante ler Oakeshott, um verdadeiro profeta da polarização da estupidez na política.

* Luiz Felipe Pondé é Diretor Acadêmico do LABÔ

Textos do Núcleo de Filosofia Política do Labô