Bolsonarismo: o novo fascismo brasileiro

Bolsonarismo: o novo fascismo brasileiro

Laboratório de Política, Comportamento e Mídia dá início neste 5 de junho a um novo projeto de pesquisa: trata-se do projeto Bolsonarismo: Novo Fascismo Brasileiro. Em uma investigação multidisciplinar e colaborativa que envolve pesquisadores voluntários de diversas instituições de ensino superior do Brasil, o projeto BNFB pretende unir esforços para compreender o atual estágio da crise da democracia liberal, constitucional e representativa, a ascensão de populismos de extrema direita, a degradação das instituições brasileiras e a ameaça política, social e humanitária representada pelo movimento social e político do bolsonarismo

Confira abaixo o projeto

1. Contextualização

As pesquisas e a bibliografia consagradas dedicadas ao tema dos novos populismos de direita e de extrema-direita nos últimos anos é já respeitável. Em volume, em qualidade e em variedade de abordagens e de perspectivas teóricas e políticas, é possível falar de um novo corpo de conhecimento consolidado em matéria de reflexão política, ao mesmo tempo interdisciplinar (ciência política, filosofia, história, sociologia, economia), especializado, e de grande interesse público. Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, e Como a Democracia Chega ao Fim, de David Runciman, além de O Povo contra a Democracia, de Yascha Mounk, são apenas alguns dos exemplos de êxito popular.

Na academia, pesquisadores se amparam em dados para apontar para o que chamaram de recessão democrática[1] ou, em alusão à terceira onda de democratização de Huntington[2], de terceira onda de autocratização[3]. Independentemente do nome, esse tem sido um movimento gradual, caracterizado por um redobrado autoritarismo de ditaduras, uma tendência de países da “zona cinzenta” democrática de decaírem para autocracias e uma crescente disfuncionalidade e perda de autoconfiança por parte de democracias estabelecidas. Isso é corroborado tanto por índices que medem o nível de democracia no mundo calculados por organizações como Freedom House[4], The Economist Intelligence Unit[5] e V-Dem[6], quanto por pesquisas feitas por instituições como o Pew Research Center, que revelam que, mesmo que em teoria apoiem a democracia, as pessoas nem sempre demonstram comprometimento com seus princípios e estão mais insatisfeitas com o seu funcionamento, sendo essa insatisfação correlacionada com uma frustração com as elites políticas[7].

Como se vê, o fenômeno vem de par com importantes reflexões acerca da natureza, do atual estado, da grave crise e dos desafios contemporâneos da democracia, especialmente da assim chamada democracia liberal (em contraste com o que Zakaria definiu como “democracia iliberal”[8]). Tema de interesse quase permanente, pode-se constatar que desde o início da década passada a produção sobre o assunto vem crescendo, e fatores tão distintos quanto a crise financeira de 2008, a chamada “primavera árabe”, diversas ondas de manifestações populares ao longo dos últimos anos e o crescimento, cada vez mais destacado, da participação (ou pretensão de participação) popular por meio das mídias sociais assinalavam esse percurso histórico e a repercussão acadêmica e intelectual que lhe acompanhava. Com a vitória do Brexit no plebiscito britânico em junho de 2016, decidindo pela saída do Reino Unido da União Europeia, seguida pela vitória de Donald Trump nas eleições americanas de novembro daquele mesmo ano, o fenômeno de ascensão de governos e de bandeiras políticas populistas de direita, marcadamente iliberais, assumia uma proeminência até então inédita, fazendo com que as longínquas Filipinas de Rodrigo Duterte e as diminutas Hungria de Viktor Orbán e Polônia de Andrzej Duda passassem a figurar ao lado da Itália de Matteo Salvini e das duas nações-símbolo da democracia liberal representativa como exemplos precisamente da derrocada dessa modalidade de regime político[9]. (Aqui, para não mencionar ainda outros exemplos de candidaturas ou movimentos que, se bem não se elegeram ou não elegeram lideranças a cargos máximos, tiveram e ainda têm impacto naquilo que constitui os elementos integrantes da chamada crise: na França, a candidatura de Marine Le Pen e, depois, já no governo Macron, os protestos dos gilets jaunes, os “coletes amarelos”; no Reino Unido, de Boris Johnson – ele próprio uma figura peculiar, que faz parte da discussão –, movimentos de radicalização na retórica eurocética, personificados institucionalmente por figuras como Nigel Farage; e ainda na própria Alemanha, um dos países que mais têm servido de exemplo de safe haven do liberalismo democrático esclarecido no governo de Angela Merkel, a ascensão, e declínio, e nova ascensão da AfD, partido de extrema-direita.)

O Brasil fez figura – e má figura – nesse quadro de degeneração democrática com a eleição, em outubro de 2018, de um ex-militar historicamente acusado de planejar atentados terroristas, chefe de um clã familiar suspeito de envolvimento e de ativa participação junto às milícias do Rio de Janeiro e com um currículo de 30 anos de vida política preenchida exclusivamente por discursos de natureza fascista. A vitória de Jair Bolsonaro, embalada, ao menos na superfície, por uma combinação de lavajatismo (em referência à Operação Lava Jato), antipetismo e ressaca de crise econômica[10], trouxe à cena no palco da política brasileira a associação (não inédita, frise-se) entre extrema-direita política, reacionários morais e comportamentais vários e liberais ortodoxos em matéria econômica, acrescidos, desta feita, de turbas e milícias digitais – ingrediente inédito na tradição do reacionarismo autoritário brasileiro.

Inspirado, de um lado, pelo chamado olavismo e, de outro, pelo “guedismo” (uma visão privatista reducionista de liberalismo econômico), com o suposto institucionalismo militar ocupando uma posição intermediária, o governo Bolsonaro mostrara-se em flagrante desacordo com os princípios mais elementares da democracia liberal representativa constitucional já em seu primeiro ano de mandato. Em 2019, desfilaram os escândalos políticos de variados portes, todos com a inequívoca e inamovível marca do autoritarismo iliberal que define o bolsonarismo, tendo a afronta aos demais poderes da República, a intimidação da imprensa e das vozes críticas da sociedade civil e a premeditada degradação institucional servido, combinadamente, como norteadores para uma suposta “revolução conservadora” de que Jair Bolsonaro seria o líder. Tal cenário radicalizou-se de modo singular já nos primeiros meses de 2020, quando, ainda em janeiro, o Secretário Nacional de Cultura protagonizou um vídeo oficial de perfil abertamente nazista, seguido pelo agravamento da imobilidade do governo em fevereiro, e chegando ao ápice com a eclosão da crise sanitária deflagrada pelo chamado novo coronavírus em março.

Foi a partir da reação errática do governo federal no combate à pandemia de COVID-19 no País que suas características autoritárias, antidemocráticas e iliberais – núcleo da identidade política do governo – tornaram-se ainda mais explícitas, e para um número maior de pessoas, o que é fator decisivo. Descaso grosseiro com os mais pobres e mais afetados pela crise; combate à saúde e à ciência no lugar de combate à pandemia (haja vista, por exemplo, a demissão de dois ministros da saúde neste ínterim); teorias conspiratórias e fake news transformadas em política de Estado; participação ativa na concepção e na prática de diversas atividades golpistas e potencialmente criminosas; envolvimento suspeito, direto e indireto, com forças paramilitares de apoio ao governo; estímulo à fanatização mortífera de parcelas da população; organização, no centro mesmo do governo, de estruturas de ataque à imprensa e aos demais poderes, culminando na agressão física (já tornada comum) a jornalistas; aparelhamento institucional, seja em cargos próprios do Executivo, preenchidos por olavistas que compõem a assim chamada “ala ideológica” do governo, seja em órgãos de controle, como a Polícia Federal (não perdendo de vista o fato de que, ainda neste ano, Jair Bolsonaro indicará um novo ministro ao Supremo Tribunal Federal, já tendo anunciado que nomeará alguém “terrivelmente evangélico”) – eis, em síntese, o cenário em que se deu a escalada de mortes que levou o Brasil a ser um dos países em que a pandemia de COVID-19 causa uma devastação de vidas humanas das maiores proporções. 

Foi no interior de tal crise, importa acrescentar, que se deu a queda do então Ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, símbolo do combate à corrupção para expressiva parcela do eleitorado (precisamente aquela a que se pode chamar de lavajatista e antipetista) por sua atuação como juiz da Operação Lava Jato. Demissionário, o Ministro revelou um conjunto notável de crimes supostamente cometidos pelo Presidente da República, que, a serem comprovados, atestam inequivocamente o aparelhamento institucional e, em última análise, a implantação de um regime familiar-miliciano-militar à revelia do Estado de Direito, motivo pelo qual, agora mesmo, é periclitante a situação da República e é explícita a natureza fascista do atual governo. 

Nesse contexto, a pesquisa acadêmica sobre a crise da democracia liberal, sobre as novas ondas populistas, ou sobre a ascensão da extrema-direita no Brasil, ao mesmo tempo em que ganha em relevância teórica, adquire também contornos de uma intervenção no debate público e na cena política cheia de uma urgência característica do melhor ensaísmo esclarecido – uma tradição nacional – e do alto jornalismo.

É bem verdade que a urgência e a relevância do assunto são quase que autoevidentes: basta ligar a televisão ou ler as primeiras manchetes de qualquer jornal. Por outro lado, e sobretudo em debates de natureza imediata, convém notar a justificação acadêmica para um projeto desta espécie. Muito embora já exista uma ampla discussão sobre uma suposta crise da democracia (parte manifesta nas obras mencionadas acima, de impacto relevante), é bastante comum – ainda mais quando tratamos de conceitos posicionais, interpretativos por excelência – que não mais se saiba exatamente sobre o que se está falando. Qual é a concepção de democracia que se discute (ou se postula como ideal)? Quais são exatamente as linhas demarcatórias possíveis que permitem a atribuição de um denominador comum aos diferentes governos democráticos e aos diferentes regimes iliberais? Quando falamos em esquerda ou direita, quando afirmamos ou negamos uma crise institucional, uma crise de representação, uma crise democrática, sobre o que estamos falando? O movimento a que chamamos bolsonarismo ou novo fascismo brasileiro, para ficar no exemplo diretamente relacionado à investigação, articula-se como “representante do povo”, prometendo uma “relação imediata” com esse mesmo “povo” reivindicado (remetendo, assim, à ideia de “democracia delegativa” como articulada por O’Donnell[11] e ao conceito de populismo como definido por Urbinati[12]). O governo abertamente iliberal teve apoio de autointitulados liberais; a “revolução” que se pretende “conservadora” seria anátema à tradição do conservadorismo britânico de Hooker a Oakeshott. Democracia, liberalismo, conservadorismo, esquerda, direita, centro. A pesquisa acadêmica de excelência, em respeito às exigências do rigor que marca o saber científico, é o que permite que a discussão e o debate sejam construídos com graus mínimos de responsabilidade conceitual. 

O ponto é que, como se nota, estamos aqui tratando de um debate de natureza imediata. A crise da democracia, no Brasil de 2020, é constituída por pequenas grandes crises quase que diárias. O certo grau de distanciamento que marca a pesquisa acadêmica de qualidade não pode, ao mesmo tempo, caracterizar imobilismo ou complacência, sob pena de permanecer confinada aos gabinetes de uma suposta intelligentsia (que acabaria, paradoxalmente, por personificar exatamente um tipo de “elite descolada da realidade do povo”, como diria um típico slogan de movimentos populistas ao redor do globo). Assim, à combinação desse saber técnico, de avaliação aprofundada e interpretação matizada que caracteriza imperiosamente o bom trabalho acadêmico, deve somar-se, portanto, a crítica política ágil e informada, da cultura e da sociedade de nosso tempo, que é indissociável da boa prática jornalística e do melhor de nossa produção ensaística. A proposta, portanto, é acadêmica, mas não é apenas acadêmica; é de intervenção no debate público, mas não é apenas de intervenção no debate público. O que se pretende, aqui, é exatamente a construção de uma ponte entre o que há de melhor nessas duas esferas, permitindo uma articulação conjunta entre o saber acadêmico-científico e a atenção às circunstâncias de nosso presente em todas as suas peculiaridades, nuances e crises. Esse é o tipo de produção de conhecimento exigido pelo fenômeno social e político do bolsonarismo, cada vez mais articulado em termos de um novo fascismo brasileiro.

Considerando (1) que “democracia” é um termo posicional, contestável[13] – sendo reivindicado por todo tipo de grupo ou partido político, inclusive os antidemocráticos – e (2) que temos o rigor acadêmico como premissa fundamental, a tomada de posição aqui indicada exige algumas explicações de natureza mais teorética. Quando afirmamos que o bolsonarismo é um movimento político que efetivamente coloca a democracia em risco, não pretendemos aqui iniciar um mero exercício retórico ou articular qualquer tipo de acusação vazia, desprovida tanto de responsabilidade intelectual quanto de significado.

Pela natureza própria do conceito, é bastante difícil definir a democracia de forma taxonômica, como se fosse um simples conceito criterial. Interpretativo por excelência, o conceito convida à elaboração de diversas concepções distintas. De nossa parte, adotamos uma concepção na linha do que dizia Thomas Mann, em The Coming Victory of Democracy: “É insuficiente definir o princípio democrático [simplesmente] como o princípio majoritário, traduzindo a democracia literalmente, muito literalmente, como o governo do povo”; afinal, como alertava o próprio Mann, essa é uma expressão “de duplo significado”. Sem princípios mínimos que informem sua própria raison d’être, o governo da maioria pode estar “mais próximo da definição de fascismo”.[14] Essa ideia, tão bem ilustrada por Mann, é precisamente a consagração dos alertas já delineados por autores como James Madison, nos Federalist Papers, e Alexis de Tocqueville, no clássico De la démocratie em Amérique – alertas contra o que já se convencionou chamar na própria linguagem ordinária de tirania da maioria.

O ponto fundamental, aqui, é que a concepção de democracia que adotamos é mais do que um conjunto formal de critérios a serem preenchidos de modo a respeitar a regra majoritária, e eis tudo. Uma democracia liberal autêntica é a que consagra, respeita e materializa precisamente as conquistas do liberalismo democrático enquanto tal: noções como direitos humanos e sociais, pluralismo, tolerância, separação de poderes, ordem legal, constitucionalismo em sentido amplo, império da lei. Adotamos uma concepção de democracia representativa, que só é possível quando prevalece a ideia de que há órgãos intermediários entre governantes e governados. Partidos políticos, imprensa livre, Judiciário forte e independente; como não falar, então, em crise da democracia no Brasil, quando o Presidente da República diz coisas como “eu sou a Constituição”[15] e afirma que o “poder popular não precisa mais de intermediação”,[16] incentivando e até praticando a perseguição à imprensa,[17] cada vez mais atacada – inclusive de forma direta – por seus apoiadores?[18] Quando um de seus filhos, que já havia sugerido o fechamento do STF,[19] ameaça uma “ruptura institucional” após decisão da Suprema Corte?[20] Quando são mais do que relevantes os indícios de interferência política em órgãos de controle?[21]

Reafirmar a democracia em crise no Brasil, portanto, não é um mero jogo de palavras. É precisamente porque as palavras importam que a crise pode ser constatada, uma vez que são explícitos os ataques a todos os princípios que dão forma a uma concepção de democracia liberal que, parafraseando José Guilherme Merquior, encarece a exigência epistemológica para a caracterização de um conceito.

O mesmo vale para nossa afirmação de que lidamos com um novo fascismo. A despeito do reconhecimento de se tratar de termo com frequente emprego retórico, servindo de acusação dirigida contra adversários políticos, e, mais ainda, a despeito da evidente dificuldade para precisar conceitualmente o termo fascismo, que padece, em certo sentido, das mesmas peculiaridades acima descritas em termos da contestabilidade do predicado “fascista”, é fato que existe abundante produção acadêmica e intelectual oriundas da historiografia, da sociologia, da ciência política, da filosofia política, da economia e da psicologia que nos permitem usar tal vocabulário com suficiente rigor acadêmico na identificação do bolsonarismo como fenômeno fascista.

Basta indicar dois clássicos da bibliografia relativa ao tema para que possamos analisar o bolsonarismo com essas lentes. Considere-se, por exemplo, as chamadas “paixões mobilizadoras” do fascismo, tal como descritas e elencadas por Robert Paxton:[22] “o sentimento de um crise catastrófica, além do alcance das soluções tradicionais”; “a primazia de um grupo”, assim como a crença de que tal grupo é “uma vítima”; bem como “o pavor da decadência do grupo sob os efeitos corrosivos” da modernidade, do individualismo moderno, do conflito de classes ou de “ameaça estrangeira”. Uma a uma, tais paixões mobilizadoras têm comparecido com alarde no universo político do bolsonarismo, às quais pode ser acrescido o agravante encontrado na definição de Michael Mann,[23] que muito bem identificou a tendência para “construção de um Estado-nação transcendente e expurgado por meio do paramilitarismo” como tendo papel central na definição do fascismo – este mesmo fascismo que hoje caracteriza o bolsonarismo.[24]

 

2. Descrição: natureza, especificidades e propósito

O Projeto Bolsonarismo: o Novo Fascismo Brasileiro (BNFB) é uma iniciativa do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ, fruto da compreensão do atual momento político e social do País tal como descrito acima. Expressa, em seu formato, uma das convicções basilares do LABÔ, a saber, a necessidade de construir uma ponte entre a universidade e o grande público não especializado, unindo produção de conhecimento rigoroso em alto nível com ensaísmo de qualidade, acessível e de impacto, valendo-se, para tanto, de diversas plataformas de interlocução com a sociedade e de divulgação acadêmica e intelectual. Ainda, como sói ser o caso das atividades do LABÔ, o projeto aprofunda a vocação interdisciplinar e colaborativa das pesquisas do Laboratório, bem como seu compromisso de contribuir com produção de conhecimento para a compreensão de temas contemporâneos de notória relevância pública.

O Projeto BNFB nasce de uma dupla aposta interpretativa fundamental, que deve ser devidamente expandida e avaliada criticamente. Em primeiro lugar, está a identificação de um cenário de crise da democracia instaurado no Brasil (não de agora) e que tem conexões e similaridades fortes com o mesmo fenômeno vivido globalmente, ainda que com características próprias; assim, o BNFB recusa o argumento de uma permanente “normalidade” da vida democrática brasileira no período recente e nos dias em que corre o bolsonarismo oficialista, e frisa que os testes de “estresse” das instituições políticas do País são, em verdade, processos de implosão continuada dessas nunca devidamente bem formadas instituições, inserindo-se globalmente em uma perspectiva de abalo da democracia liberal constitucional representativa e dos seus mecanismos de funcionamento. Segundo, o reconhecimento do movimento político e social chamado de bolsonarismo como uma modalidade de fascismo político que dialoga tanto com a tradição do autoritarismo de direita no Brasil (como o integralismo e a ditadura militar, para dar dois exemplos) quanto com variadas experiências internacionais de perfil fascistizante – de Salvini a Orbán, por exemplo.

Em ambos os casos, impõe-se, é claro, a tarefa de precisar conceitualmente a jogada interpretativa aqui exposta, não apenas contrastando hipóteses rivais – quer acerca da democracia, em geral, quer acerca da natureza específica do bolsonarismo – como robustecendo as definições com que se opera para garantir tanto o primeiro quanto o segundo aspecto de tal linha de interpretação. É, contudo, partindo do pressuposto razoável no acerto do diagnóstico acima que o Projeto BNFB se propõe a investigar esse e todos os temas correlatos (detalhados a seguir, na seção 3). O resultado de tal investigação é, assim como sua própria natureza indica, distinto da produção acadêmica regular, pois não apenas (i) elege como matéria para exame um fenômeno multifacetado a se desdobrar correntemente, como (ii) se propõe a oferecer resultados também sob a forma de intervenções públicas no debate esclarecido do Brasil contemporâneo. Assim, algumas especificidades desta investigação precisam ser explicitadas:

  • o presente trabalho deverá expandir o procedimento de interdisciplinaridade e de método colaborativo, prática usual do LABÔ, e ativamente agregar aos esforços da investigação do BNFB pesquisadores das mais diversas áreas (ciência política, filosofia, sociologia, direito, economia, ciência de dados, gestão pública, antropologia, psicologia e psicanálise, filosofia da religião, etc.) que sejam capazes de contribuir para a melhor compreensão do fenômeno ora estudado; deve-se privilegiar, nesse sentido, a inclusão de pesquisadores de outras instituições universitárias com reconhecido trabalho em suas respectivas áreas de atuação, abrindo espaço para as mais variadas perspectivas teóricas, sempre com vistas a tornar o presente estudo plural, profundo e ágil; destaque-se, desde a origem deste projeto, a referência modelar do Observatório da Extrema-Direita, coordenado pelos professores Guilherme Casarões (FGV-SP) e David Magalhães (PUC-SP/FAAP) e Odilon Caldeira (UFJF), ainda em processo de institucionalização;
  • tal colaboração deve suceder de maneira voluntária, participativa e produtiva, tendo por base (i) a troca de informação especializada, de acordo com a legislação vigente, das áreas dos pesquisadores envolvidos, seja por meio de materiais produzidos previamente sobre tópicos atinentes ao tema da pesquisa, seja por meio de conferências, aulas e reuniões de trabalho (presenciais ou remotas); (ii) a produção de material escrito ou em mídias diversas (podcasts, vídeos, aulas e palestras) relativo aos temas que compõem este estudo;
  • o trabalho conjunto e cooperativo não gera nenhum tipo de vínculo entre os participantes e colaboradores e as respectivas instituições de atuação regular de cada pesquisador, aí incluso o próprio LABÔ;
  • a dimensão contemporânea do trabalho imprime à pesquisa um ritmo de avaliação conjuntural permanente, e agilidade e presteza na produção e veiculação de conteúdos a ela concernentes.

Em vista de sua justificativa, já devidamente contextualizada na seção 1, e de sua natureza essencial e especificidades acima relatadas, o presente trabalho busca atingir os seguintes objetivos concretos de curto e médio prazo:

  • coletar, organizar, analisar e divulgar dados relativos aos temas gerais da pesquisa, bem como aos diversos tópicos detalhados que compõem o projeto;
  • escrever e publicar artigos de natureza acadêmica sobre os tópicos listados abaixo (idealmente, ao menos um para cada tópico);
  • escrever e publicar artigos e ensaios de intervenção na imprensa escrita do País com vistas a publicizar os dados, as análises e as reflexões produzidas no interior desta pesquisa (idealmente, ao menos um para cada tópico);
  • Organizar e realizar, ainda em 2020, um seminário para apresentação de trabalhos com a temática da pesquisa;
  • Organizar e publicar um livro que reúna a produção final da pesquisa.

3. Temas a serem desenvolvidos

 Tendo em vista a já mencionada natureza interdisciplinar e colaborativa do projeto, dividimos os grandes eixos temáticos que compõem a investigação do BNFB nos seguintes tópicos:

A – Fundamentação teórica geral e experiência global 
  • A crise da democracia liberal e de suas instituições;
  • Extrema-direita, populismo e movimentos políticos iliberais;
  • Fascismo, integralismo, autoritarismo e bolsonarismo;
  • Democracia Digital Direta, redes sociais e fake news;
B – Símbolo, religião e fanatismo
  • Apropriação simbólica: Israel, USA, “Ocidente” e outros mitos da narrativa do BNFB;
  • O novo fanatismo de base religiosa: neopentecostalismo e tradicionalismo católico a serviço do BNFB;
  • O novo fanatismo de base política: “mito”, “guru” e realidade no BNFB;
C – Doutrina do BNFB
  • Olavismo, doutrina do BNFB;
  • Militares e o BNFB;
  • Nacionalismo “orgânico” e “transcendente” na retórica e na estratégia do BNFB;
  • “Revolução conservadora” e “mobilização permanente” no BNFB;
  • Afirmação da violência: culto da tortura, culto da agressão, culto do ódio e culto da morte no BNFB;
  • Obscurantismo e retórica anticiência e anti-intelectual do BNFB;
  • As teorias da conspiração do BNFB;
D – Milícias, milícias digitais e financiamento
  • Milícias, crime organizado e BNFB;
  • Milícias digitais e BNFB;
  • Estruturas de financiamento do BNFB: Luciano Hang, Winston Ling, Brasil 200 e demais redes;
E – Apropriação do Estado, ataque às instituições e corrosão democrática
  • Destruição e degradação institucional: princípio e tática do BNFB (análise geral);
  • Ruptura com os Poderes e desafio à democracia: do populismo ao fascismo com o BNFB;
  • Casos específicos a serem investigados: (a) aparelhamento, inoperância e aviltamento do MEC e do MCT na gestão do BNFB; (b) o ocaso do Ministério da Cultura sob as ordens do BNFB; (c) Meio-Ambiente e a ordem do BNFB para a devastação; (d) o fim da política de direitos humanos; (e) a diplomacia brasileira sob regime do BNFB;
  • Ambição de controle de força policial/militar e de criação de força paramilitar: das franjas lunáticas ao apoio real no centro de poder do BNFB;
F – Apoios, reais e digitais
  • A adesão dos institutos e dos movimentos liberais brasileiros ao BNFB;
  • A ilusão dos “bots” como “povo” na retórica do BNFB;
  • O “cidadão de bem” e o BNFB;
  • O servilismo voluntário: jornalistas, pundits e intelectuais do BNFB;
  • A síndrome de Chauí: conivência, adesão e silêncio de intelectuais em face do BNFB;
G – A Mente Reacionária
  • A retórica de ódio a minorias, a mulheres e a pobres no BNFB;
  • A obsessão pela homossexualidade por parte do BNFB;
  • Tradicionalismo e kitsch nas artes; estética clássica e medieval em linguagem digital: vaporwave, kitsch e reacionarismo de gosto: as marcas culturais do BNFB.
H – Guerras culturais e guerra cultural bolsonarista
I – Psicopatologia do bolsonarismo e do olavismo

 

4. Participantes

 
  • Andre Spritzer

Doutor em Ciência da Computação pela UFRGS, especializado em visualização de informações. Estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na University of London/LSE.

  • André Anéas

Doutorando e mestre em Teologia pela PUC-SP e bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP, na qual é coordenador da pós-graduação e docente. É autor do livro “A racionalização da experiência de Deus” (2019) e “Protestantismo e Mística – razão e experiência mística no protestantismo histórico” (2016), além de artigos relacionados a temática da experiência de Deus, mística, espiritualidade, protestantismo e religião. Atualmente trabalha em sua tese o diálogo entre teologia fundamental, mística cristã e a fenomenologia e coordena o grupo de pesquisa Teologia Cristã e Religião Contemporânea do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Andréa Kogan (coordenação acadêmica)

Doutora em Ciências da Religião pela PUC-SP, autora do livro “Espiritismo Judaico”, assistente acadêmica do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – Labô, onde também coordena o Grupo de Pesquisa sobre Morte e Pós-Morte.

  • Andrei Venturini Martins

Doutor em Filosofia, professor no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e coordenador do Núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia (Fundasp – PUC/SP). É autor do comentário e tradução do Discurso da Reforma do Homem Interior, de Cornelius Jansenius (Filocalia), e das obras Do Reino Nefasto do Amor-Próprio: a origem do mal em Blaise Pascal (Filocalia), A Verdade é Insuportável (Filocalia) e Joaquim Nabuco: um abolicionista liberal do Brasil (É Realizações – prelo).

  • Adriana Novaes

Graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Ciências da Comunicação e doutorado em Filosofia, também pela Universidade de São Paulo. Fez estágio de pesquisa para o doutorado na New School for Social Research. É pós-doutoranda do Departamento de Filosofia da FFLCH da Universidade de São Paulo. Autora dos livros O canto de Perséfone e Hannah Arendt no século XXI: a atualidade de uma pensadora independente.

  • Carlos Sousa

Mestre em Ciências da Religião. PUC-SP. Graduação em Filosofia. UNIFAI. Professor de Filosofia e pesquisador do Núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia (Fundasp-PUC/SP).

  • Cauê Ribeiro Fogaça

Bacharel em Filosofia pela Faculdade de São Bento-SP e graduando em Teologia pela PUC-SP. Pesquisador do Núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Celina Alcantara Brod

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (2017). Mestre em Filosofia Política pela UFPEL. Doutoranda pela UFPEL em Filosofia Política. Atualmente é professora de inglês autônoma – Cab- English Lessons. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política e Ética, atuando principalmente nos seguintes temas: liberalismo,conservadorismo,iluminismo, David Hume, moralidade social,responsabilidade, ceticismo, naturalismo, Strawson. Pesquisa de Doutorado sobre relações de culto e fanatismo, efeitos na razão e na moralidade dos agentes políticos.

  • Danit Zeava Falbel Pondé

Possui graduação em psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(2009), graduação em Administração de Empresas pelo Fundação Armando Álvares Penteado(1989), especialização em Formação Clínica em Psicanálise Winnicottiana pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana(2016), mestrado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas(2012), doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas(2018) e ensino-medio-segundo-grau pelo Colégio Israelita I L Peretz(1979). Atuando principalmente nos seguintes temas:Sentimento, afeto, Amadurecimento, Psicanálise, Winnicott. Coordenadora do grupo de pesquisa A Crise do Amadurecimento na Contemporaneidade no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Eduardo Wolf (coordenação geral)

Doutor em filosofia pela USP, foi pesquisador visitante na Universidade Ca’Foscari (Veneza, Itália). É professor e pesquisador do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP e pesquisador do Grupo de Estudos de Filosofia Antiga da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Foi secretário-adjunto de cultura do município de Porto Alegre (2017) e curador-assistente do Fronteiras do Pensamento (2016 – 2018). É colaborador da revista Veja e editor da plataforma multimídia “O Estado da Arte” no jornal O Estado de S. Paulo. Editou, entre outros, os volumes Pensar a Filosofia e Pensar o Contemporâneo, lançados pela Arquipélago Editorial. Traduziu os ensaios de T. S. Eliot (Notas para uma Definição de Cultura e A Ideia de uma Sociedade Cristã e Outros Ensaios – É Realizações) e diversos títulos de filosofia (A Filosofia Antes de Sócrates, de Richard Mckirahan, A invenção da Filosofia, de Néstor-Cordero, entre outros).

  • Fernando Amed

Doutor em História Social pela USP. Historiador pela FFLCH da USP, professor da Faculdade de Comunicação da Faap e do curso de Artes Visuais da Belas Artes de São Paulo, autor de livros e artigos acadêmicos. Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Comportamento Político do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Filipe Campello

Professor Adjunto no Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco, coordenador do Núcleo de Estudos em Filosofia Política e Ética (NEFIPE / UFPE) e pesquisador do CNPq (bolsista de produtividade 2). Doutor em Filosofia pela Goethe-Universität Frankfurt (orientação: Axel Honneth e Christoph Menke), realizou pós-doutorado na The New School for Social Research (supervisão: Nancy Fraser), tendo recebido o Fulbright Junior Faculty Member Award. Integrou o grupo de pesquisa em teoria crítica no Instituto de Pesquisas Sociais em Frankfurt e mantém atividades de cooperação com o Cluster Normative Orders, ligado à Universidade de Frankfurt. Tem participado com frequência nas atividades do Comitê de área junto à CAPES, tais como Avaliação Quadrienal (2017), APCN’s (2018) e da comissão de avaliação QUALIS Periódicos, além de colaborar como parecerista em Programas de apoio da CAPES. É membro permanente da Red Latinoamericana de Estudios sobre el Reconocimiento (RELAER) e membro do Núcleo de Sustentação do GT-Teoria Crítica da ANPOF. É autor de “Die Natur der Sittlichkeit: Grundlagen einer Theorie der Institutionen nach Hegel” (Transcript, 2015) e co-autor de “Modernizações Ambivalentes: Perspectivas Interdisciplinares e transnacionais” (Edufpe, 2016). Foi editor da Revista Perspectiva Filosófica – Periódico do PPG em Filosofia da UFPE (2014-2017), e atualmente coordena o Programa de Mestrado em Filosofia da UFPE. As áreas de interesse compreendem filosofia social e política, Hegel, teoria crítica e estética.

  • Flávia Sarinho

Advogada nas áreas de direito comercial, bancário e projetos de infraestrutura. Formada em direito pela UFRJ (1996), Pós graduada pelo IBMEC-RJ (2001) e pesquisadora do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Flavio Williges

Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (1995), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria em convênio com a USP (1998), Doutor em Filosofia pela UFRGS (2009) e Estágio Pós-Doutoral na University of California em Davis, USA (2017-2018) com bolsa de Estágio de Pós-Doutorado da Capes Processo: POS-DOC 88881.119129/2016-01. Professor Associado do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria. Tem interesse em epistemologia, ceticismo, ética normativa (ética do cuidado, ética das virtudes), psicologia moral, filosofia das emoções.

  • Gabriel Rostey

Graduado pela Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP em Turismo com Especialização em Planejamento e Gestão Turística de Cidades, com graduação em intercâmbio acadêmico pelo Instituto de Estudios Urbanos da Pontificia Universidad Católica de Chile; cursou mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela FAU-USP e é MBA em Gestão Estratégica pela Universidade de São Paulo. Coautor do livro “Nossa Cidade, Nossa Casa: conhecendo a arquitetura da cidade e aprendendo a cuidar dela”, da Associação Preserva São Paulo; colaborou para a publicação “Projetar arquitetura, construir cidades | Convivências Urbanas: patrimônio, comércio, habitação”, do LPP – Laboratório de Projetos e Políticas Públicas da FAU-Mackenzie; contribui esporadicamente com artigos em veículos de imprensa como O Estado de S. Paulo (online) e O Antagonista, e é colaborador da plataforma multimídia “O Estado da Arte” no jornal O Estado de S. Paulo.

  • Gilberto Morbach

Mestre em Direito Público (summa cum laude), como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Bacharel em Direito pela Universidade Feevale. Tradutor (em andamento, a tradução de “Jurisprudence: Theory and Context”, primeira obra do jusfilósofo Brian Bix a ser publicada no Brasil). Ensaísta, com contribuições para o Estado da Arte (Estadão). Membro e assistente do coordenador, Prof. Dr. Lenio Luiz Streck, do Dasein – Núcleo de Estudos Hermenêuticos; também membro da Aristotelian Society for the Systematic Study of Philosophy (Aristotelian Society) e da ABDPro – Associação Brasileira de Direito Processual. Advogado, inscrito na seccional do Rio Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) sob o n.º 111.505. Ênfase de pesquisa em Teoria do Direito, Filosofia no Direito, e Direito Processual.

  • Giuseppe Cocco

Possui graduação em Sciences Politiques – Université de Paris 8 (1984), graduação em Scienze Politiche – Università degli Studi di Padova (1981), mestrado em Science Technologie et Société – Conservatoire National des Arts et Métiers (1988), mestrado em História Social – Université de Paris I (Panthéon-Sorbonne) (1986) e doutorado em História Social – Université de Paris I (Panthéon-Sorbonne) (1993). Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, membro da Pós-Graduação da Escola de Comunicação e do Programa em Ciência de Informação (ECO-Ibict), Pesquisador 1C do CNPq, Cientista do Nosso Estado (Faperj), é editor das revistas Lugar comum e Multitudes (Paris). Tem como principal interesse de pesquisa as dimensões produtivas da comunicação e da informação no capitalismo contemporâneo (trabalho imaterial, capitalismo cognitivo, a metrópole como novo espaço de produção), atuando principalmente nos seguintes temas: trabalho, comunicação, globalização, cidade, fordismo e cidadania. Organizador de diversas coletâneas, é também autor de livros como GlobAL: Biopoder e lutas em uma América Latina globalizada, com Antonio Negri (Record, 2005), Mundobraz: o devir-Brasil do mundo e o devir-mundo do Brasil (Record, 2009) e KORPOBRAZ: por uma política dos corpos (Mauad, 2014). Coordena as coleções Espaços do Desenvolvimento (da DP&A) e A Política no Império (da Civilização Brasileira).

  • Heraldo Galan

Designer Editorial e Gráfico. Formado em Artes Plásticas pela FAAP, com pós-graduação em Design Gráfico pelo Senac. É pesquisador nos grupos Núcleo de Filosofia Política e Indivíduo, Democracia e Liberdade, ambos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Idelber Avelar

Professor Titular de Estudos Latino-Americanos na Universidade Tulane, em New Orleans. Entre seus livros, contam-se Figuras da violência: ensaios sobre narrativa, ética e música popular (UFMG, 2012), Crônicas do estado de exceção (Azougue, 2014) e Transculturación en suspenso: los orígenes de los cánones narrativos colombianos (Caro y cuervo, 2016). Seu próximo livro, Eles em nós: retórica e antagonismo no Brasil do século XXI, está concluído e no prelo com a Editora Record. Entre seus prêmios, contam-se o Katherine Singer Kovacs, da Modern Language Association, por The untimely present: postdictatorial Latin American fiction and the task of mourning (Duke UP, 1999) e o primeiro lugar no concurso internacional de ensaios sobre Machado de Assis do Itamaraty (2005). Seus textos breves mais recentes se compilam no Medium.

  • Irapuã Santana do Nascimento Silva

Beneficiado pelas cotas raciais em 2003, graduou-se na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2008, foi o 1° negro e mais novo coordenador do setor contencioso do renomado Escritório Jurídico Carbone. Em 2012, foi aprovado em 7° lugar no mestrado em Direito Processual pela mesma universidade, onde sua dissertação foi aprovada com louvor e distinção, em 2015, por uma banca composta pelos melhores professores do país na área, que deu origem ao seu 1° livro chamado “O Princípio da Igualdade na Mediação e o Acesso à Justiça”. Hodiernamente cursa o seu doutoramento com uma tese acerca do acesso à justiça, sob a perspectiva da jurisprudência e do cidadão. Em 2013 foi aprovado no concurso da Procuradoria-Geral do Município de Mauá, onde atua como procurador municipal até hoje. Em 2016, foi aprovado no disputadíssimo programa de intercâmbio “Linkage”, da Faculdade de Direito de Yale, nos Estados Unidos. Além disso, atuou, entre os anos de 2014 e 2018, como assessor de ministro no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. É consultor e apresentador do programa “Explicando Direito”, na Rádio Justiça. Desde 2014, exerce trabalho voluntário na EDUCAFRO, como consultor jurídico, responsável pelas principais ações judiciais da entidade no país. É membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual, do Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais, da Comissão de Advocacia Pública da OAB/SP, da Comissão de Direito Processual Civil da OAB/SP e da Comissão de Igualdade Racial da OAB/SP. É professor do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). É conselheiro jurídico do movimento suprapartidário “Livres”. Conselheiro do Instituto Mercado Popular. Autor do livro “13 de maio: A Maior Fake News de Nossa História”.

  • João Domingues

Graduando em psicologia (PUC-SP), pesquisador do Núcleo de Filosofia Política e do grupo de pesquisa Indivíduo, Democracia e Liberdade, ambos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ. Concentra suas pesquisas em: epistemologia, filosofia da ciência, filosofia da psicologia, pesquisa teórica em psicologia, psicologia e filosofia política.

  • Josias de Paula Jr.

Doutor em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (2012), é Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Departamento de Ciências Sociais (DECISO). Desenvolve pesquisas, sociologicamente orientadas, nas áreas de cultura, política e teoria social. É integrante do GECCA – Grupo de Estudos em Crítica Cultural em Artes.

  • Leandro Bachega

Licenciado em Filosofia pela Faculdade de São Bento-SP e mestre em Filosofia pela PUC-SP. Pesquisador nos grupos de Filosofia Política e Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Lilian Wurzba

Lilian é psicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Religião (PUC-SP), docente do IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa) e coordenadora do grupo de pesquisa do Labô: Jung e Filosofia da Religião.

  • Luiz Bueno

Bacharel e Mestre em Filosofia, Doutor em Ciências da Religião e coordenador do Núcleo de Filosofia Política do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Luiz Felipe Pondé (coordenação acadêmica)

Possui graduação em Filosofia Pura pela Universidade de São Paulo (1990), mestrado em História da Filosofia Contemporânea pela Universidade de São Paulo (1993), DEA em Filosofia Contemporânea – Universite de Paris VIII (1995), doutorado em Filosofia Moderna pela Universidade de São Paulo (1997) e pós-doutorado (2000) em Epistemologia pela University of Tel Aviv. Atualmente é Diretor do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor titular da Fundação Armando Álvares Penteado. Outros vínculos significativos em pós-graduação: Escola Paulista de Medicina, Unifesp, professor e pesquisador convidado (2007) , University of Warsaw, professor convidado (2007), Universität Marburg, professor e pesquisador convidado (2002 e 2003) – University Of Tel Aviv, pesquisador (2007 a 2010) – Universite de Paris VIII, pesquisador (1994 a 1996) – Universidad de Sevilla, professor convidado (2005) e colunista exclusivo do Jornal Folha de S. Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ciências da Religião e Filosofia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: religião, mística, santidade, angústia, modernidade/Pós-modernidade e epistemologia. (Texto informado pelo autor). Diretor Acadêmico do Labô.

  • Maria Cristina Mariante Guarnieri

Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985), mestrado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000) e doutorado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006). É psicóloga clínica e atua principalmente em Consultório Particular; é docente do IJEP- Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, nos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Dependências, Abusos e Compulsões e Arteterapia; no curso de Psicologia e Religião no COGEAE – Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUC/SP ; psicóloga na Associação de Apoio à Criança com Câncer. Tem experiência na área de Psicologia e sua pesquisa está voltada para a Psicologia e Filosofia da religião, atuando principalmente nos seguintes temas: angústia, morte, mística, luto, religião. Pesquisadora e coordenadora do grupo de Judaísmo Contemporâneo do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Mano Ferreira

Jornalista e especialista em comunicação política, cofundador e diretor de comunicação do Livres. Alumni da International Academy for Leadership da Fundação Friedrich Naumann Pela Liberdade, da Alemanha. É cofundador do Students For Liberty no Brasil e ex-editor do Café Colombo.

  • Michel Ghermann

Possui graduação em História com licenciatura em educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). É mestre em Antropologia e Sociologia – Hebrew University Of Jerusalem (2007). Tem título de doutor pelo Programa de Pós Graduação em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente Michel Gherman é pesquisador no Programa de Pós Doutorado na Escola Kreitman de Estudos Avançados na Universidade Ben Gurion do Neguev. Também é pesquisador do Núcleo de Estudos da Política da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e co-cordenador do nucleo interdisciplinar de estudos judaicos da UFRJ.

  • Patrícia Perrone Campos Mello

Professora-Doutora de Direito Constitucional do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Professora de Direitos Sociais e Políticas Públicas do Programa de Mestrado e Doutorado do UniCEUB. Doutora e mestre em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Procuradora do Estado do Rio de Janeiro. Assessora de Ministro do Supremo Tribunal Federal. Membro do Instituto de Diálogos Constitucionais (IDCon) e do Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais (CBEC).

  • Paulo Roberto de Almeida

Doutor em Ciências Sociais (Université Libre de Bruxelles, 1984), Mestre em Planejamento Econômico (Universidade de Antuérpia, 1977), Licenciado em Ciências Sociais pela Université Libre de Bruxelles, 1975). É diplomata de carreira, por concurso direto, desde 1977; serviu em diversos postos no exterior e exerceu funções na Secretaria de Estado, geralmente nas áreas de comércio, integração, finanças e investimentos. Foi professor de Sociologia Política no Instituto Rio Branco e na Universidade de Brasília (1986-87) e, desde 2004, é professor de Economia Política no Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

  • Ricardo Vinícius Ibañez Mantovani

Licenciado, bacharel, mestre e doutor em Filosofia pela USP. Coordenador e professor do curso de Pós-graduação em Ética e Filosofia Política da Faculdade Paulo VI. Pesquisador do núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.

  • Rodrigo Cássio Oliveira

Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com pós-doutorado pela Università degli Studi di Pisa (Itália). Possui Mestrado e bacharelado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e licenciatura em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Pesquisador visitante na Universidad de Buenos Aires (UBA-Argentina) pelo Programa de Mobilidade Docente da AUGM – Asociación de Universidades Grupo Montevideo em 2017. Membro da SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual. Parecerista de publicações acadêmicas na área de humanidades e artes, com foco em estudos de cinema, comunicação e filosofia.

  • Rodrigo Coppe Caldeira

Historiador e professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da PUC Minas. Tem experiências na área de História contemporânea, atuando principalmente com os seguintes temas: direita religiosa, conservadorismo, tradicionalismo, catolicismo contemporâneo, secularização. Pós-doutor em Filosofia social pela Universidade de Varsóvia (2020). É presidente do Conselho Científico da  Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião – ANPTECRE (2018-2020). É membro do Institut d’Étude du Christianisme (Strasbourg, França), investigador associado da rede de pesquisa Direitas, História e Memória e membro de vários conselhos editoriais de revistas nacionais e internacionais. Coordena o GT Religião e Espaço Público na SOTER e o ST Catolicismo e política: entre conservadores e progressistas na ANPUH. É líder do Laboratório de Estudos em Religião, Modernidade e Tradição (LeRMOT) e um dos líderes da Rede de Pesquisa História e Catolicismo no Mundo Contemporâneo. Foi professor convidado da Faculté de Théologie et de Sciences Religieuses da Université Laval – Québec (2015), onde é Pesquisador Associado no projeto de pesquisa Vatican II: herméneutique et réception. (2020). Colabora regularmente no Estado da Arte – Estado de S. Paulo.

  • Rodrigo de Lemos

Possui doutorado (2015) e mestrado (2010) em Letras pelo PPG da UFRGS e graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006), onde já atuou como professor de Línguas e literatura francesa e francófonas. Atualmente, é professor adjunto da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). No âmbito de sua pesquisa doutoral, realizou estágios de pesquisa como chercheur visitant na Université de Liège (Bélgica) e na Université du Québec à Montréal (Canadá). Realizou cursos internacionais de formação em gestão e em gestão universitária (Organização Universitária Interamericana, Montreal, 2014; UNESCO-Universidade Politécnica da Catalunha, 2015, École Nationale d’Administration, Paris 2017). Contribui regularmente em veículos de imprensa como O Estado de São Paulo (online) e Zero Hora. Tem como interesses de pesquisa: a poesia, a mitologia, a literatura antiga, a literatura francesa, a literatura dos séculos XIX e XX, a Renascença e a tradução.

  • Rodrigo Toniol

Graduado em ciências sociais, mestre e doutor em antropologia social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou parte de seu doutoramento no programa de antropologia da University of California San Diego (UCSD). Foi pesquisador visitante no Global Health Institute da UCSD, nos Estados Unidos, no Ciesas/Guadalajara, no México e na Universidade de Utrecht, na Holanda. Realizou estudos de pós-doutorado no departamento de filosofia e estudos de religião da Utrecht University, Holanda. Atualmente é professor no departamento de antropologia e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Unicamp. É presidente da Associação dos Cientistas Sociais da Religião do Mercosul (2018- 2020). Coordena do projeto de pesquisa Espiritualidade institucionalizada, apoiado pela Fapesp na modalidade Jovem Pesquisador. É editor do periódico Debates do NER e do Boletim Cientistas Sociais e Coronavirus (ANPOCS). É membro da Cátedra Roberto Cardoso de Oliveira (Unicamp/Brasil – Ciesas/México) e do Comitê de Pesquisa de Sociologia da Religião da Sociedade Brasileira de Sociologia. Suas pesquisas privilegiam os seguintes temas: corpo, saúde, ciência e religião. Entre seus trabalhos, destacam-se as funções de editor e autor da Encyclopedia of Latin American Religions (ed. Springer), a autoria dos livros On the nature trail (ed. N.Science Publishers, 2015) e Do espírito na saúde (Ed. LiberArs, 2018); além da organização, entre outras, das obras: Conservadorismos, Fascismos e Fundamentalismos (Ed. Unicamp, 2018), Como as coisas importam: uma abordagem material da religião (ed. UFRGS, 2019) e Entre trópicos : Diálogos de estudios Nueva Era entre México y Brasil (Casa Chata, 2018). Escreve para Estado da Arte, do jornal Estado de S. Paulo e também para o Jornal de Toronto.

  • Rogério Tineu

Doutor em Ciências Sociais PUC-SP. Mestre em Ciências da Comunicação ECA-USP, especialista em Docência no Ensino Superior UNICID, especialista em Economia do Turismo ECA/FIPE-USP e graduado em Ciências Econômicas pela Fundação Santo André, além de ser coordenador do grupo de pesquisa do Labô “Cultura do Consumo, Sociedade e Tendências”.

  • Thomas Victor Conti

Doutor em economia, cientista de dados, professor do Insper e do mestrado profissional do Instituto de Direito Público (IDP-SP). Professor convidado na Especialização Modalidade Extensão Universitária em Direito & Economia da Unicamp e da Escola Superior da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (ESPGE). Atua como consultor, pesquisador e cientista de dados (em R). É diretor acadêmico da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE) e da Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ). É colunista convidado no Estado da Arte, do Estadão. Gerencia a página Direito e Economia no Facebook, maior página dedicada à divulgação da Análise Econômica do Direito no Brasil. Trabalha voluntariamente como divulgador científico nas redes sociais e escrevendo para a Universo Racionalista.

  • Tiago Pavinatto

Advogado, doutor pela Faculdade de Direito da USP e coordenador do grupo de pesquisa do Labô: “Hiper-religiosidade: a prisão da fé na era das liberdades”, juntamente com Davi Lago.

  • Vinícius Müller

Doutor em História Econômica pela USP é professor do Insper e autor do livro Educação básica, financiamento e autonomia regional: Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul, 1850 – 1930 (Editora Alameda, 2018).

Notas

[1] Cf. DIAMOND, Larry. Facing Up to the Democratic Recession. Journal of Democracy, 26, 2015, pp. 141-155

[2] Cf. HUNTINGTON, Samuel. The third wave: Democratization in the Late Twentieth Century, University of Oklahoma Press, 1993

[3] Cf. LÜHRMANN, Anna; LINDBERG, Staffan. A third wave of autocratization is here: what is new about it? Democratization, 26, 7, 2019, pp. 1095-1113

[4] https://freedomhouse.org/report/freedom-world

[5] http://www.eiu.com/topic/democracy-index

[6] https://www.v-dem.net/

[7] https://www.pewresearch.org/global/2020/02/27/democratic-rights-popular-globally-but-commitment-to-them-not-always-strong/

[8] Cf. ZAKARIA, Fareed. The Rise of Illiberal Democracy. Foreign Affairs, 76, 06, novembro/dezembro 1997, pp. 22-43

[9] Cf. GRZYMALA-BUSSE, Anna; KUO, Didi; FUKUYAMA, Frank; MCFAUL, Michael. Global Populisms and Their Challenges, Freeman Spogli Institute for International Studies, Stanford University, 2020, https://fsi.stanford.edu/global-populisms/global-populisms-and-their-challenges

[10] Cenário que poderia caracterizar uma crise de stateness ainda mais grave do que a que acometeu o País durante o período de transição democrática pós-ditadura militar. Cf. LINZ, Juan; STEPAN, Alfred. Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America, and Post-Communist Europe, The Johns Hopkins University Press, 1996

[11] Cf. O’DONNELL, Guillermo A. Delegative Democracy. Journal of Democracy, 5, 1, 1994, pp. 55-69

[12] Cf. URBINATI, Nadia. Me the People: How Populism Transforms Democracy. Harvard University Press, 2019

[13] Um predicado P é contestável se (1) não for implausível dizer tanto ‘algo é P se também for A’ quanto ‘algo é P se também for B’ como explicações alternativas do significado de P; se (2) também houver um elemento e* de força valorativa ou normativa atrelada ao significado de P; e se (3) como consequência de (1) e (2), houver um histórico do uso de P de forma a significar padrões ou princípios rivais, tais como ‘A é e*’ e ‘B é e*’.” É o caso de democracia: é um termo sobre o qual (1) se pode falar tanto em termos de representação quanto em termos de participação direta, que tem (2) um significado valorativo favorável e, como consequência disso, (3) deriva-se princípios antagônicos a partir do mesmo conceito. Cf. WALDRON, Jeremy. Vagueness in Law and Language. California Law Review, 82, 03, 1994, pp. 509-540

[14] Cf. MANN, Thomas. The Coming Victory of Democracy. Londres: Secker & Warburg, 1938, p. 21

[15] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/04/democracia-e-liberdade-acima-de-tudo-diz-bolsonaro-apos-participar-de-ato-pro-golpe.shtml

[16] https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/12/10/poder-popular-nao-precisa-mais-de-intermediacao-diz-bolsonaro-no-discurso-da-diplomacao.ghtml

[17] https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-manda-reporter-calar-a-boca-e-diz-que-nao-interferiu-na-pf/

[18] https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,profissionais-do-estadao-sao-agredidos-com-chutes-murros-e-empurroes-por-apoiadores-de-bolsonaro,70003290864

[19] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/basta-um-soldado-e-um-cabo-para-fechar-stf-disse-filho-de-bolsonaro-em-video.shtml

[20] https://istoe.com.br/apos-falar-em-ruptura-eduardo-bolsonaro-e-denunciado-em-conselho-de-etica/

[21] https://veja.abril.com.br/blog/radar/delegado-revela-interferencia-de-ramagem-a-mando-de-bolsonaro-na-pf/

[22] PAXTON, R. O. Anatomia do Fascismo. Ed. Paz e Terra

[23] MANN, M. Fascistas. Ed. Record

[24] Ver, ainda, a lista de quatorze características do “fascismo eterno” listadas por Umberto Eco no ensaio “O Fascismo Eterno”

 

Imagem: tratamento sobre original de Marcello Casal Jr/Agência Brasil