Sala Gershom Scholem

Por que estudar Gershom Scholem?

Scholem é um dos responsáveis por fazer grande parte do povo judeu e parte do mundo ocidental conhecerem a Cabala e suas fontes mais primevas. Esse fato serviu também para entendermos certas relações que se estabeleceram com movimentos como a Reforma protestante, a Revolução Francesa, o nascimento da União Soviética, e a formação de ordens secretas como Rosa Cruz e Maçonaria. A Cabala está na base das principais ideias do espiritismo e no centro da linha ortodoxa do judaísmo Chabad.

Para as duas maiores religiões monoteístas do mundo, a Cabala também deixa seu rastro. O proto-cristianismo na figura mística da eucaristia, e sua transubstanciação, ainda hoje habita a Igreja Católica como parte essencial da missa, muito estudada por Mircea Eliade. Mesmo o islamismo também vivencia com o sufismo persa elementos de uma espiritualidade advinda do imã Ali após a morte de Mohamed, com a ideia de uma tradição oral muito mais antiga nos ditos e feitos de seu líder, os hadits e com uma metafísica explorada principalmente por Henry Corbin. Tais configurações servem para mostrar elementos muito antigos do universo cabalístico, cuja história gera uma repercussão cada vez mais sincrética do que estamos acostumados a perceber.

A própria Cabala aparece no trabalho de Scholem como uma história secreta do próprio judaísmo em todo o seu desenvolvimento desde a destruição do Segundo Templo em 70 d.C. O judaísmo passa a simbolizar o entendimento de sua tradição em detrimento aos antigos sacrifícios realizados no Templo. Como uma espécie de renascimento de todo o entendimento judaico anterior, a figura de Rabi Akiva e seu discípulo Shimon bar Yochai, em lições que serviram para fundar tanto o Talmud quanto acrescentaram os ensinamentos mais antigos da Cabala. Depois o nascimento dos livros Bahir e Zohar serviram para consolidar a Cabala como um profundo ensinamento judaico de diferentes procedências, mas mantidos naquilo que Scholem reconhece como a tradição base de todo o judaísmo.

Além disso, Scholem é de fundamental importância para os estudos judaicos (Wissenschaft des Judentums). Suas ideias sobre o messianismo cabalístico e a forma na qual ele incentivou mudanças profundas na sociedade é hoje parte do próprio encontro das origens da modernidade europeia.  Scholem é um intelectual muito próximo às investigações de outros contemporâneos seus como Franz Rosenzweig, Leo Strauss, Walter Benjamin, Martin Buber, Hans Jonas, Emmanuel Levinas, e Hannah Arendt. Seu alcance intelectual é extraordinário, pois novos estudos têm sido feitos, tanto em Israel, quanto nos EUA e mesmo na Alemanha por seu profundo envolvimento com o renascimento do pensamento judaico na Europa.

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