LABÔ Cast

Religiosidade em estados alterados

O LABÔ Cast é um programa de entrevistas com os coordenadores/pesquisadores do LABÔ sobre temas contemporâneos.

“Preciso ser um outro/para ser eu mesmo/existo onde me desconheço”. Já faz tempo que os versos do escritor moçambicano Mia Couto caíram em desuso. Para o filósofo alemão Byung-Chul Han, os tempos em que o outro existia se foram. Expulsamos a negatividade do outro. Não ansiamos mais pela sua diferença. Afinal, como já cantou Caetano Veloso, “é que Narciso acha feio o que não é espelho”. Sobre Deus, lá pelo idos do século I, Pseudo-Dionísio escreveu que o acesso racional a Deus é negativo – isso porque quanto mais próximo ao transcendente estamos, menos palavras há. E o que dizer quando o acesso a Deus tem sua via facilitada por alguma substância alucinógena? Será que buscamos a alteridade no mais radical da diferença, Deus, ou buscamos que nossos corpos e nossas mentes sejam ortopédicos às nossas dores? Estaríamos, como já disse Max Weber, misticamente, rejeitando o mundo? Se é assim, estamos invertendo o problema de Dostoievski: “se Deus existe, tudo é permitido”? Ou, como quer Jung, reconhecendo que uma das razões para o sofrimento moderno é justamente o vazio religioso?.

Nessa conversa, o LABÔ recebe Priscila Minervino, psicóloga pela Universidade de Brasília, acompanhante terapêutica, especialista junguiana pelo Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, umbandista, capoeirista e é membro de GP Jung e a Filosofia da Religião, e Ricardo Mantovani, pós-doutor em filosofia pelo LABÔ/PUC-SP, graduado, mestre e doutor em filosofia pela FFLCH-USP. Especialista em Filosofia da Religião e Filosofia Política, membro do Núcleo de Estudos Agostinianos do LABÔ e, também aqui no LABÔ, é coordenador do Núcleo de Apologética e Ateísmo.

Episódio publicado no canal do LABÔ no YouTube em 11 de setembro de 2022