LABÔ Cast

Reescrita do passado

O LABÔ Cast é um programa de entrevistas com os coordenadores/pesquisadores do LABÔ sobre temas contemporâneos.

Freud certamente concordaria com o economista Pedro Malan para quem, no Brasil, até o passado é incerto. Nelson Rodrigues já havia dito que nunca antes o povo brasileiro viveu tanto do passado, ou melhor, das rendas do passado. E isso já naquele tempo em que quem tinha passado era adúltera! Transformar um pangaré de cascos rachados em um alazão tão imponente quanto o Bucéfalo de Alexandre apenas dando-lhe o nome de Rocinante ou transmutar-se si mesmo de pobre sitiante a Cavaleiro Andante, deixando de ser Quixana para ser Don Quixote de La Mancha é um truque comum nos dias hoje. Golpe vira contra-revolução; favela, comunidade; invasão, ocupação; faminto passa a ser sujeito a insegurança alimentar; e até a Bandeira Nacional se transforma em slogan de campanha política.

Será que o auge da modernidade é, como disse o filósofo russo Mikhail Baktin, o desenvolvimento da “filosofia burguesa sob o signo da palavra”? A que serve a reescrita de termos, de biografias, de períodos, do passado e do presente? Serviria às nossas mentes (afogadas na nostalgia) ávidas por recolocar o trem nos trilhos ou serviria ao ideário atual de projetar o progresso suposto ser alcançado no futuro? Ou nada disso, serviria apenas a nossa primitiva necessidade onipotente de criar a realidade?

Nessa conversa, o LABÔ recebe Ney Costa Santos, doutor e mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio e graduado em Cinema pela UFF. Cineasta e professor do departamento de Comunicação da PUC-Rio, é membro da Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, AIM/Portugal, e pesquisador do grupo Nelson Rodrigues: Literatura, Filosofia e Religião, aqui no LABÔ; e Jussara Parada Amed, doutora em Historia Social e Cultural pela FFLCH/USP, professora universitária de História e pesquisadora do GP Isaiah Berlin no LABÔ.

Episódio publicado no canal do LABÔ no YouTube em 2 de outubro de 2022