Revista Laboratório Temática 5 – Diálogos da Diáspora - Racismo e Antissemitismo

Que a verdade seja dita! (seja ela qual for…)

Resenha do livro:
O Complô no Poder
de Donatella di Cesare
Editora Ayine

“Quem é governado por demônios, vive no Inferno.”
Álvaro Borba

A astrofísica molecular, pesquisadora portuguesa, com projetos em andamento nas melhores universidades dos EUA na busca por planetas habitáveis para nós humanos, Clara Sousa-Silva, argumentou em podcast que, por mais tentador que seja, e por mais ansiosos que estejamos em encontrar “vida alienígena” , é preciso antes de declarar ter encontrado vida alienígena, descartar e testar todas as outras possibilidades, das mais absurdas as mais básicas utilizando todas as ferramentas que, no caso, a bioquímica, a biologia molecular e a astrofísica proporcionam. Da mesma forma, com uma certa dose de ironia, o sambista – mas antes de tudo – o herpetologista, Paulo Vanzolini, primeiro presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), quando em documentário dedicado à sua vida e obra, foi questionado: “o que você varia se encontrasse na mata uma espécie totalmente nova, diferente de qualquer coisa que você já viu?” Sem hesitar ou pensar por mais do que dois segundos, Vanzolini respondeu: “Atiraria e levaria para estudar no laboratório”.

O que tanto Vanzolini como Sousa-Silva estão dizendo é uma reafirmação do postulado clássico de todo trabalho científico, não podemos especular, não podemos tirar conclusões precipitadas, não podemos dizer o que é, nem o que estamos vendo, sentindo ou mesmo acreditando, antes de fazer a pesquisa seguindo o “passo a passo” que dá validação ao trabalho científico. Na psicologia cognitiva[1] encontramos pesquisas que mostram como muitas vezes nosso cérebro “nos engana”. Nossa memória falha, nosso senso de verdade se altera e muitas vezes somos induzidos a afirmar algo com base numa “pressão social” ou senso comum, um pouco na lógica, “é melhor dizer isso ou vão achar que sou louco”.

Em contrapartida, as pessoas que presenciam fenômenos paranormais, que encontram seres ou criaturas “estranhas”, que relatam abduções, experiências pós-morte etc., às vezes, estão convictas do que viram ou viveram. Contam suas histórias em detalhes, às vezes com testemunhas, outras vezes com “provas” como fotografias, vídeos, material orgânico, mineral ou marcas inexplicáveis deixadas no corpo. A escritora estadunidense Linda Godfrey sintetizou bem este comportamento ao compilar uma série de histórias e chamou o livro de I Know What I Saw: Modern-Day Encounters with Monsters of New Urban Legend and Ancient Lore. A ideia de que “eu sei o que eu vi” é central, é certeza que quem estava “lá”, de “quem vi com os próprios olhos” e que teve a “experiência”. Portanto se o “mundo” não acredita, não importa, eu sei o que eu vi.

Na ciência política nós estamos de certa forma entre estes dois mundos, o mundo que tenta se filiar às credenciais da turma de Vanzolini e Sousa-Silva e o mundo novo e misterioso dos relatos de Linda Godfrey. O livro O Complô no poder da filosofa italiana Donatella Di Cesare enfrenta este desafio.

Ao falar em complô na política é caminhar por uma trilha cheia de sombras. Como a autora argumenta, falar em complô é – em síntese – argumentar que “nada ocorre por acaso”. E ao falar em Complô no Poder, é no limite, de um poder que está em toda parte (e em lugar nenhum). A autora não se propõe a desvendar este complô nem quer provar que ele não existe (ou vice-versa), sua proposta é de entender um comportamento, um fenômeno contemporâneo, sobretudo político.

Trata-se de estudar atores políticos que se apresentam no debate contemporâneo como uma espécie de “porta-vozes” de um movimento global, de um fenômeno de massa, que se mobilizam como uma reação, uma revolta contra as “elites” que operam nas sombras, nos segredos e que assim, operam, controlam, dirigem o complô, numa espécie de “governo a partir das sobras”, de um “estado profundo” que não aparece, mas que manipula a política e, sobretudo, que detém o poder.

Tal como um político que de tanto prometer ou mentir, acaba se misturando com suas mentiras e promessas, este político populista – por se tratar de um movimento de massas – que se apresenta com um porta-voz daqueles que querem denunciar e no limite acabar como este complô, também se mistura com as inúmeras teorias conspiratórias que circulam em sua base eleitoral, e muitas vezes acabam também se misturando com a ideia de um complô. No limite, aquele que denuncia uma conspiração no poder ou um grande complô por trás da democracia, acaba por também conspirar e se colocar como uma espécie de contrarrevolução e única alternativa ao que está em jogo. E o que está em jogo nunca é apenas uma eleição, uma chance de alternância de poder ou de debater ideias, a ideia do que a autora chama como fenômeno de complotismo, é de uma guerra existencial, no limite é o apocalipse que está no horizonte.

O que exatamente é um complô? Para Donatella Di Cesare, trata-se de um fenômeno político fugaz, algo que se relaciona ao universo dos mitos. O Complô quando denunciado por estes atores políticos, define inimigos que

operam como dispositivos mitológicos, são estigmatizados, demonizados. Estes imigos do povo, e povo aqui é entendido de forma abstrata, vazia, culturalmente homogêneo, mas politicamente amorfa. Este povo não mais poder, nem a ilusão de fazer parte de um regime democrático. O que se apresenta como líder e “porta voz” irá, portanto, lutar contra o Complô e assim regatar o poder do povo e sua liberdade. Esta é a promessa. E para entregá-la, o líder deste movimento faz uma condenação moral de seus inimigos. Esta condenação não pode ser factual, nem seguir o direito de defesa ou dando uma foto de confiança ao sistema judiciário ou as forças policiais / investigativas, pois, na lógica do complô, todas estas forças estão corrompidas. Na premissa do “nós vs. eles”, não há, portanto, instituições ou outros atores que possam fazer qualquer mediação. E para além deste rompimento com atores de mediação (como a Justiça, os partidos políticos, o Parlamento etc.) o ator político que se apresenta como aquele que irá enfrentar o complotismo também rompe com a garantia de que apenas cabe ao Estado o uso da violência. Na lógica do complô, a violência é válida com um meio para desbaratar, limpar, higienizar o poder e assim, resgatar a liberdade. O politico que se apresenta como porta-voz deste movimento, promete e fala em “total transparência” – ironicamente neste ponto, a autora lembra dos pensadores Iluministas, que defendiam transparência total [2].

Em certo sentido, estes políticos querem o fim dos segredos e sobretudo querem extirpar do poder aqueles que supostamente têm ou controlam os segredos. Além disso, este político não se apresenta como um tipo “otimista” – mesmo quando eventualmente está concorrendo à reeleição – ao contrário –  sua retórica é mais nostálgica, e não hesitam em admitir que “as coisas vão mal”. A ruptura acontece quando demostra e ecoa um sentimento daqueles que não conseguem superar seus fracassos, decepções e perdas. Neste ponto, o líder do movimento se apresenta como uma espécie na qual todas as mágoas, ressentimentos e desilusões se encontram. E para deixar isto claro, o líder demostra ressentimento e mais do que isso, demostra apego a este sentimento. Expressa o sentimento de alguém que não quer superar o que sente, que flerta com uma eventual vingança, mas ao mesmo tempo que ataca, teme, e precisa se defender.

Segundo Donatella, este tipo de político, que prega a transparência, que mina todas as formas de mediação política e institucional, usa de uma estratégia de se defender ao atacar. Quando e enquanto denunciam as “elites” ele está também se defendendo, ou se apresentando apenas como uma voz – “é o povo que está dizendo” – ou se colocando como alguém que está denunciando, portanto, não poderia ser denunciado. Quem fala primeiro não está cometendo crimes na lógica do complô. E denunciar passa a ser também a primeira opção de defesa. Se estou denunciando este Complô (contra mim e contra nós) então sou inocente (seja em caso de violência, golpe de Estado, corrupção, prisão, perseguições sociais ou crimes virtuais etc.).

Ao jogar a política do complotismo há consequências e desdobramentos. Em caso de vitória eleitoral, o ato de governar torna-se uma continuação da campanha. Comícios, entrevistas com jornalistas e comunicadores aliados, e sobretudo, muitas denúncias. São alarmes que soam diariamente e que funcionam como justificativa para a inação (“o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (STE) e ministro do Supremo Tribunal de Justiça (ST) – Alexandres de Morais – está “ajudando a enterrar o Brasil e alguns integrantes do Supremo preferem o petista na Presidência porque Lula e Alckmin serão “marionetados[3]” ou “The Deep State and the Left, and their vehicle, the Fake News Media, are going Crazy[4]” etc.).

De forma mais elaborada o filosofo alemão Peter Sloterdijk chama este regime de Fobocracia. Trata-se da ideia de usar o medo como forma de mobilização e intimidação para governar. Donatella chamaria este regime de uma expressão do complotismo, pois, seria um governo imerso na ideia de um complô global e permanente. Em ambos os casos o regime em termos retóricos é sempre de viver sob um alarme que anuncia um estado de exceção. A ameaça existencial chega de diferentes formas, algumas institucionais como a perda da maioria no Congresso, ou ao contrário, a formação de uma maioria, por exemplo, numa corte superior de justiça que passa a barrar as iniciativas do governante. Mas a ameaça segue majoritariamente de inimigos invisíveis ou de grupos que operam nas sombras (como ONGs, ativistas políticos de oposição ao governo, Think Tanks, fundações, grupos filantrópicos, universidades, a mídia ou as big techs etc.). É assim, portanto, um governo que está sempre na defensiva, denunciando, falando e tentando mobilizar ressentidos.

A autora discute algumas destas ameaças não institucionais que funcionam também como instrumentos de mobilização para o complotismo. Uma delas é a ideia de uma Grande Substituição, trata-se da ideia de que num mundo racializado e etnicamente definido, os brancos “ocidentais” estariam desaparecendo. No estilo fobocrático, anunciam um genocídio, desta vez as vitimas são os brancos. Nesta narrativa culpam os imigrantes, refugiados, exilados que como “bárbaros” invadem o Ocidente que por sua vez, governados pela “esquerda” são fracos na defesa nas fronteiras, não acreditam em muros para proteger as fronteiras e vão além, são multiculturalistas e, por isso, defendem uma sociedade “multicultural” o que significaria na prática, mais poder aos não brancos. Esta narrativa, como bem enfatiza Donatella, não é nova, ela flerta com velhas crenças neonazistas por exemplo, que atribuem ao sionismo das elites governantes o mesmo enfraquecimento e perseguição ao “brancos”.

A questão judaica é o tema mais recorrente que perpassa pelo complotismo, embora muitas vezes não apareça explicitamente na voz do líder, do o porta-voz a qual Donatella se refere como estes políticos que surfam nesta onda global populistas de direita. É como se a questão judaica fosse o complô de todos os complôs, o segredo de todos os segredos. O inimigo de todos os inimigos.

Trata-se de um arquétipo que projeta em um grupo minoritário todo o poder de controlar a história, toda a riqueza do capitalismo, e toda influência e poder de persuasão possíveis que nenhum meio midiático tem. São ao mesmo tempo o inimigo doméstico e internacional (pois são cosmopolitas). Resgatando uma fala de Hitler: “Este povo dá a entender que é assimilável, convence os anfitriões de que o judaísmo é só uma religião” A. Hitler (1938) Apud. Cesare, p. 330. A citação de Hitler traduz um comportamento que Donatella também vê nos complôtistas contemporâneos a mesma desconfiança. O inimigo do Complô contemporâneo pode ser o imigrante, o refugiado, o muçulmano, ou de forma mais abstrata o multiculturalismo, a ONU, a União Europeia ou os latinos, mas se pensarmos na metáfora de uma teia de aranha, que a autora escolhe como símbolo do complotismo, é como se a questão judaica estivesse no centro, e para onde aponta todas os complôs, todos os segredos, todas conspirações.

A questão judaica como centro da teia do complô já foi com outros alvos, a autora lembra dos complôs que já envolveram a Igreja Católica, a Maçonaria, o Islã ou até mesmo de forma mais ampla contra a mídia. A mídia é vista no complotismo como uma ferramenta de subversão moral. São controladas por “forças ocultas”, estão a serviço de “interesses estrangeiros” ou censuram o que deveriam mostrar ou mostram o que não deveria.

A ideia de um governo – mesmo governando por um porta-voz do complotismo – mas que não quer vingar e que eventualmente perde o poder, cria, quando não alimenta, a projeção de um inimigo ainda mais forte que os inimigos domésticos (a mídia, as sociedades secretas, os imigrantes, ONGs,

elites cosmopolitas etc.)[5]. Eis que ganha força a ideia de um Governo Mundial (que deve ser combatido, evitado a todo custo etc.). A ideia de um Governo Mundial é uma projeção internacional a partir da ideia de que os estados são todos “inflados”, “grandes demais” com uma “burocracia muito poderosa”. O Governo Mundial seria um passo que pode ser concretizado a qualquer momento numa Nova Ordem Mundial. Desta forma os complotistas se veem sempre como vítimas, como a parte mais fraca, de um complô poderoso e que é sempre do outro, seja ela quem for.

De certa forma, Organizações Políticas Internacionais (OPI) como as Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e suas eventuais ramificações já são usados pelos complotistas como sinônimo de Governo Mundial. E há também uma tentativa de amarrar estas tramas, relacionando o Estado profundo/deep state nacional com as burocracias das OPI. A ideia aqui é que um burocrata numa salinha mal iluminada do 12º andar de um prédio federal pode ser mais poderoso que o Presidente e ipsis litteris um burocrata numa salinha na ONU é mais poderoso que o presidente de uma nação do Ocidente.

Depois da Onda, a Espuma

A onda dos complotistas ainda não passou. Na Argentina, um candidato que se apresenta como anarcocapitalista ganhou as primárias com 7.5 milhões de votos (30,04% dos votos). Donald Trump segue como pré-candidato favorito nas primárias do Partido republicano com mais de 50% na média das pesquisas. E candidatos derrotados como Bolsonaro no Brasil ou Marine Le Pen na França já admitem que irão concorrer novamente e seguem fortes nas pesquisas.

Em linhas gerais quais as consequências do complotismo ? Donatella Di Cesare enfatiza que os complôs geram despolitização. Os que acreditam no complô, acreditam por definição no porta-voz do complotismo que por sua vez, funcionam como uma espécie de líder de seita, que exerce um poder quase sobrenatural em seus seguidores. Neste sentido ele traduz também um novo movimento de massa, por isso que muitos autores classificam este fenômeno como populistas de direita ou falam na volta dos nacionalismos; o ponto central da tese do complô é entender o que está mobilizando este eleitor, desiludido, isolado, mergulhado em teórias conspiratórias e que acaba por ser mobilizado pelo líder que surge como seu porta-voz.

O argumento do complotismo pode parecer um pouco exagerado, mas ele funciona na manipulação dos medos, esperanças e sobretudo, dos rancores de uma parcela da população que pode ser nostálgica de um tempo quando tinha mais status social ou que pode ter cansado de tantas promessas não compridas por políticos de esquerda ou de direita até agora. Também aderir a um candidato que não se apresenta como sendo do establishment e que promete “limpar” o Estados e restaurar a liberdade perdida. Contudo, o que é interessante no complotismo é sua dinâmica semelhante ao que acontece nas narrativas que se inserem na pós-verdade.

Não basta dizer que são só mentiras! Como quem em vão tenta dizer a quem defende que a Terra é plana, que na verdade, ela tem formato geoide[6], é um pouco como tentar acalmar alguém em crise paranoica, dizendo “calma, é só uma paranoia”. A ideia de um complô remete a uma crença, tem ares sobrenaturais. No limite, o crente acredita que “tudo é possível” e se mobilizada pelo medo, por sentir medo está disposto a um sacrifício. Não é só um fenômeno racional. Esta pessoa não fará uma escolha racional na hora de votar, portanto, apelos ao voto útil ou chamados à razão não têm funcionado.

Não há solução simples, mas estes porta-vozes do complotismo precisam prender a atenção e chamar a atenção do máximo possível das pessoas. Portanto, uma estratégia inteligente é não dar esta atenção. Este ponto é sensível, pois toda fortuna das Big Techs passa justamente por uma manipular, prender, mobilizar a atenção de seus usuários.

E outro ponto importante é combater o isolamento das pessoas. Pessoas isoladas estão mais suscetíveis a sentir medo, a acreditar em mentiras e a serem enganadas, seja por políticos populistas ou por outros tipos de vigaristas. A Frente Nacional francesa sabe bem, desde dos anos 1980, que a ameaça muçulmana rende mais votos em povoados e cidades que nunca viram um muçulmano. E neste ponto é preciso repensar como a mídia tem funcionado, como os debates públicos estão acontecendo, qual o papel da TV em tempos de hegemonia da Internet e passa também pela crise do mercado editorial.

Bibliografia

Outras obras de Donatella Di Cesare traduzidos em português:  < https://ayine.com.br/autores/donatella-di-cesare/ >

A antropóloga Isabela Kalil fala sobre “Políticas do medo: teorias conspiratórias da extrema direita durante a pandemia” – < https://www.youtube.com/watch?v=ibZIFDOo8sc&ab_channel=Departa mentodeCi%C3%AAnciaPolitica-FFLCH-USP > Acessado em 23/08/2023

Donatella Di Cesare sobre o antissemitismo em Heidegger ( em Inglês) < https://www.scienzemfn.unisalento.it/c/document_library/get_file?folde rId=48731722&name=DLFE-330024.pdf >

Discussão sobre as ideias de Hitler e de outros ditadores a partir da análise de seus livros < https://www.washingtonpost.com/entertainment/books/the-deadliest- books-the-world-has-ever-known/2018/03/07/9abac55a-2076-11e8- 86f6-54bfff693d2b_story.html >

Bibliografia (em inglês) indicada sobre Personalidade Autoritária, Fascismo e seus desdobramentos          <https://www.goodreads.com/book/similar/1513730-the-authoritarian-   personality-studies-in-prejudice >

Texto clássico de 1964 de Richard Hofstadter sobre o Estilo Paranoico na política americana (em inglês): <

https://harpers.org/archive/1964/11/the-paranoid-style-in-american- politics/ >

Discussão clássica dos anos de 1970 sobre narcisismo na cultura americana de Christophe Lash < https://pdfcoffee.com/a-cultura-do-narcisismo-a- vida-americana-numa-era-de-esperanas-em-declinio-christopher-laschpdf- pdf-free.html > Acessado em 23/08/2023

Discussão contemporânea sobre Pós-Verdade < https://intrinseca.com.br/livro/a-morte-da-verdade/ > Acessado em 23/08/2023

Discussão contemporânea sobre a psicologia das teorias conspiratórias < https://conspiracypsychology.com/ > Acessado em 23/08/2023

Artigo de nossa autoria com estudo de caso sobre dois movimentos conspiracionistas nos EUA < https://periodicos.unifap.br/index.php/fronteiras/article/view/5395 > Acessado em 23/08/2023

Notas

[1] Clayton Dalton por exemplo faz discussão sobre como alguns políticos acabam acreditam em suas próprias mentiras. Cf. em < https://nautil.us/the-george-santos-syndrome-362810/?_sp=a7b95a4c-ccaf- 4654-aba3-98b40508ca06.1692624206316 > Acessado em 21.08.2023

[2] Neste sentido há também uma referência ao debate sobre biopolítica.

[3] Jair Bolsonaro então presidente do Brasil em 7 de outubro de 2022.

[4] Donald Trump, então presidente dos EUA em setembro de 2018.

[5] Neste ponto é interessante destacar alguns casos de porta-vozes do complotismo que conseguiram ou que sinalizam conseguir êxito em manter-se no poder. È o caso do primeiro ministro da Hungria, Viktor Orbán, no poder desde 2010 e que venceu sua 4ª eleição consecutiva em 2022. O presidente na Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, no poder desde 2014 e vitorioso em eleição polarizada em 2023. E o caso da Itália, com Giorgia Meloni, no poder desde 2022 mas como uma estratégia ligeiramente diferente dos típicos porta-vozes do complotismo. Meloni demostra mais calculo e racionalidade embora seu partido ( herdeiro da fascismo italiano) e alguns de seus ministros ocupem o espaço típico do porta-voz descrito por Donatella Di Cesare. Cf. a entrevista da autora sobre Giorgia Meloni em italiano em < https://www.lanotiziagiornale.it/governo-meloni-di-cesare-da-meloni-una-strategia-precisa-governare- attraverso-le-paure/ > Acessado em 22/08/2023.

[6] No fundo no cerne dos militantes da Terra Plana revela-se mais a questão dos segredos – quem de fato pode ver a Terra do espaço? Quem já esteve na Antártica? Porque tantas bases militares no Ártico? Quem são estes supostos astronautas? São todos membros da maçonaria? As imagens transmitidas pela NASA são maquiadas? Quem são os diretores da NASA? Há bases secretas na Lula? Etc.

Sobre o autor

Ariel Finguerut

Doutor em Ciência Política pela Unicamp, mestre em Sociologia (UNESP). Pesquisador na área de Relações Internacionais com ênfase em Política Internacional, conservadorismo americano; política doméstica dos EUA, conservadorismo e educação e Análise de Conjuntura política no Brasil contemporâneo. Pesquisador do Grupo de estudos Diálogos da Diáspora - Racismo e Antissemitismo, do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.