Revista Laboratório Temática 5 – Diálogos da Diáspora - Racismo e Antissemitismo

A Amazônia e a gênese do Pentecostalismo Judaizado

Introdução

A introdução da tradição religiosa judaica nas igrejas evangélicas brasileiras se intensificou nas últimas três décadas.  Entre os pentecostais, essa tradição guarda significados que dialogam com as experiências religiosas do movimento avivalista. Trata-se de um fenômeno que marca politicamente o cenário religioso brasileiro atualmente. A valorização de Israel pelo Pentecostalismo não se dá somente com a inserção dos símbolos judaicos em seus cultos, mas há uma preocupação política com a própria sociedade israelense, na medida em que, no seio do evangelismo, toma forma a fabricação de um “Israel imaginário” que deve servir como modelo de nação próspera e obediente, a favor de um projeto de poder que deve contribuir para, em breve, tornar o Brasil uma nação pentecostal.    

Desse modo, pode-se constatar que houve mudanças no Movimento Pentecostal, e elas começaram a se esboçar nos anos de 1990 com a intensificação das caravanas evangélicas para Israel e com a implementação do projeto de evangelização celular. A partir de então pesquisadores como Marta Topel, Gedeon Alencar, Bernardo Campos sinalizaram em suas obras, mudanças no cenário religioso pentecostal latino-americano, ao notarem a intensificação dos rituais, das festas e do uso da simbologia judaica nas comunidades pentecostais nas últimas décadas.

Observou-se que, especialmente, a cidade de Manaus/AM constituiu-se no lócus, no qual a tendência religiosa denominada de Pentecostalismo Judaizado tomou forma e irradiou-se para outros lugares, apesar da adesão intensa do mundo religioso judaico por todo o Brasil, foi na Amazônia que esse fenômeno religioso ganhou destaque. O mundo simbólico judaico atraiu de forma surpreendente os sujeitos sociais do Movimento Pentecostal local.

Em meio a essa caracterização de um “judaísmo imaginário”, a Amazônia se relaciona diretamente com as visões celular, apostólica e de Jerusalém, articuladas todas ao mesmo tempo. Estamos falando de uma teologia que explora a história de Israel e apresenta a Amazônia como o lugar onde o chamado de Deus para o apostolado e discipulado acontecem. Enquanto Israel é a pátria em que Cristo irá governar todas as nações por mil anos; no Brasil, a Amazônia é o lugar de onde se toca o shofar que desperta a nação brasileira e os demais países da América Latina para o avivamento. Portanto, a proposta deste texto é apontar como a Amazônia é acessada através de uma hermenêutica que defende o direito dos judeus à sua terra prometida.

Além disso, refletir acerca da valorização de Israel pelo pentecostalismo, como movimento religioso que politicamente toma Israel como modelo para o Brasil, deve enriquecer o debate sobre a pauta cristã-evangélica ligada a certo conservadorismo que faz uso do discurso religioso em benefício da elaboração de estratégias de domínio que extrapolam os limites do campo religioso, apelando até mesmo para a questão da judaicidade israelita.

Trama rizomática pentecostal

Um rizoma como haste subterrânea distingue-se absolutamente das raízes e radículas. Os bulbos, os tubérculos, são rizomas. Plantas com raiz ou radícula podem ser rizomórficas num outro sentido inteiramente diferente: é uma questão de saber se a botânica, em sua especificidade, não seria inteiramente rizomórfica. Até animais o são, sob sua forma matilha; ratos são rizomas. As tocas o são, com todas suas funções de hábitat, de provisão, de deslocamento, de evasão e de ruptura. O rizoma nele mesmo tem formas muito diversas, desde sua extensão superficial ramificada em todos os sentidos até suas concreções em bulbos e tubérculos […] (DELEUZE; GUATARRI, 1995, p. 14).

A filosofia deleuzeguattariana usa a metáfora botânica como alternativa epistemológica na construção de conhecimento, entendido como algo que não tem centro e limites definitivos. O rizoma é um paradigma aberto em si mesmo, permitindo novas formas de construção teórica. Tal projeto filosófico é atravessado pela ideia de que o pensamento é um entrelaçamento de conhecimentos, em que o múltiplo é entendido epistemologicamente.

Essa filosofia é uma das bases teóricas para as argumentações de que o pensamento disciplinar, mesmo exato e preciso, não compreende sozinho a multiplicidade social. A tese do rizoma apresenta a complexidade dos conhecimentos, os quais podem ser lidos independentemente, mas juntos trabalham num projeto construtivista (ideia piagetiana) para novos entendimentos da realidade.

Assim, pensar uma forma rizomática para o Pentecostalismo Brasileiro tem sentido. No contexto deste paradigma, aponto duas tipologias, a saber, o Pentecostalismo Celular e o Pentecostalismo Judaizado e retomo as demais categorias consolidadas academicamente, pois elas se entrelaçam. Essa articulação, epistemologicamente falando, não isola as categorias tradicionalmente conhecidas como o Pentecostalismo Clássico e o Neopentecostalismo, pois compartilham dinamicamente dos mesmos interesses, símbolos, doutrina, visões, ritos, crenças e outros. Partindo desse prisma, entendi que a superfície do Pentecostalismo é ramificada ou entrelaçada, e é esse aspecto que chamo de trama.

Em suma, a “trama rizomática pentecostal” é uma rede de debates, de conceitos científicos entrecruzados pelos pensamentos filosóficos, sociológicos, históricos, antropológicos, políticos e por outras áreas do conhecimento como a Teologia que avança na multiplicação dialógica das noções fundamentais acerca do Pentecostalismo Latino-americano. 

Dentro da lógica rizomática, a cultura religiosa latino-americana vai brotando à sua maneira, são pontos de conexão que fluem, desafiando o controle institucional, conectando-se com outras culturas, reinventado-se, sendo capaz de criar outros processos religiosos, laços societários, vivências e teologias. No âmbito dessa trama, sabe-se que o Cristianismo é o seu principal rizoma, ocupando lugar de destaque em todos os países latinos.

O Cristianismo marca as religiosidades contemporâneas, construídas a partir dos elementos ressignificados das tradições afro-americanas e indígenas; até mesmo os Novos Movimentos Religiosos que aqui chegam são influenciados pelo Cristianismo Latino-americano. “Estamos sempre no campo cristão, o qual congrega 91% das identificações religiosas dos indivíduos latino-americanos”, ou seja, os fios da diversidade religiosa latina são cristãos. “Isto significa que catolicismo e Cristianismo não são mais sinônimos, como fora outrora” (ORO, 2008, p. 10).

Atualmente o Catolicismo e o Pentecostalismo são as correntes religiosas mais influentes no continente. Guatemala e Honduras já são consideradas as maiores nações evangélicas (ORO, 2008), onde o Cristianismo Evangélico é hoje uma das principais opções de fé. Desse modo, pode-se falar em diversidade religiosa pentecostal na América Latina? Eventos subsequentes têm mostrado a complexidade dessa trama religiosa no Brasil.

Sabe-se que o Neopentecostalismo é a vertente pentecostal que se sobressai no final do século XX, porém, esse contexto apontava para um cenário onde a religião, a política, a mídia, a família, a teologia da prosperidade, a construção de grandes templos, a Visão Celular no Governo dos 12(G12), a defesa de Israel e a intensificação do uso dos símbolos judaicos se misturavam e se interpenetram, provocando novas discussões e tipologias que classificavam a trama pentecostal.

A partir de Paul Freston e Ricardo Mariano, as categorias Terceira Onda e Neopentecostalismo se tornaram expressões que se consagraram no Brasil na década de 1990, ambas foram usadas para tipificar as Igrejas pentecostais que surgiram a partir de então. Para Paul Freston, a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus são representantes da Terceira Onda Pentecostal; Ricardo Mariano ampliou esse grupo, indicando as Igrejas Cristo Vive, Sara Nossa Terra, Comunidade da Graça, Renascer em Cristo e a Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo como Neopentecostais.

Essas igrejas têm em comum a Teologia da Confissão Positiva que enfatiza a riqueza material como um indício do poder da fé. Essa teologia se propagou por quase todas as igrejas do universo pentecostal, alterando a sua cosmovisão acerca do mundo e “diminuindo a diferença existente entre elas, quando da tipificação proposta na década de 1990” (NASCIMENTO, 2015, p. 13).

O desdobramento, ocorrido após a consolidação do Neopentecostalismo no Brasil, acarretou um novo modus operandi pentecostal. As principais características dessa operação somadas às propriedades das vertentes anteriores – Pentecostalismo Clássico, Deuteropentecostalismo e Neopentecostalismo (MARIANO, 2005) – são as estratégias de evangelismos (Visão Celular ou G12) que imitam os apóstolos do Novo Testamento e a inserção dos ritos vivenciados pelo povo hebreu no Antigo Testamento.

A partir da década de 1980, a Colômbia ganhou visibilidade devido à força de elementos religiosos associados ao Pentecostalismo Celular. Especificamente em 1983, o líder religioso César Castellanos Dominguez, inspirado por uma revelação divina, fundou a Missão Carismática Internacional (MCI). “Nesse recomeço, ele segue as estratégias de crescimento propostas por Paul Y. Chu, pois ficou fascinado com elas ao visitar a Igreja do Chu, na Coreia” (NASCIMENTO, 2015, p. 73).

David (Paul) Younggi Cho (1936-2021)[1],pastor assembleiano e pentecostal, fundou a maior igreja celular do mundo, em 1958. O crescimento da Igreja do Evangelho Pleno, na Ásia, ligada às Assembleias de Deus, chamou a atenção de líderes religiosos latino-americanos como o colombiano César Castellanos (Missão Carismática Internacional, MCI), o salvadorenho Mario Vega (Missão Cristã Internacional Elim) e os brasileiros Abe Huber (Igreja da Paz)[2], Renê Terra Nova[3] (Ministério Internacional da Restauração, MIR) e a brasileira Valnice Milhomens (Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, INSEJEC), os quais criaram seus próprios modelos de crescimento celular. 

O Pentecostalismo sul-coreano – que se propagou pela América Latina e impactou fortemente algumas Igrejas (neo)pentecostais da região Norte do Brasil – traz em sua roupagem uma nova forma de evangelismo. O Pentecostalismo Celular tem a sua gênese na Coreia do Sul. Além do projeto evangélico que se baseia em Pequenos Grupos e da pregação que se firma na prosperidade financeira, a teologia desse Pentecostalismo sustenta que a fé é um instrumento usável e seu controle na dimensão espiritual torna possíveis as aspirações na realidade concreta. Tais desejos devem ser narrados em oração a Deus, mas é necessário detalhar, especificar, por exemplo, a casa, o carro, o emprego, a faculdade, o salário, o cônjuge almejado.

Ademais, outros aspectos do Neopentecostalismo sul-coreano influenciaram as Igrejas Pentecostais e Neopentecostais na América Latina como a oração no monte, a construção de megatemplos, a realização de vários cultos num mesmo dia e o uso de cartões de crédito no interior das igrejas[4].  Essa “trama teológica” aproximou nações, logo, esses eventos na Coréia do Sul conectaram socialmente o mundo.

Em síntese, a estratégia evangelística criada pelo pastor coreano Davyd (Paul) Yonggi Cho é um movimento avivalista mundial da metade do século XX, e na América do Sul encontrou espaço. San Salvador (El Salvador), Bogotá (Colômbia), Santarém, Manaus e São Paulo (Brasil) são algumas das cidades latinas onde as igrejas em células ganharam notoriedade.

No Brasil, destaca-se outro elemento associado ao Pentecostalismo Celular, a saber, as práticas religiosas judaicas. Esse aspecto deve ser sublinhado, pois da mesma forma como a Visão Celular foi inovadora e espalhou-se por diversas igrejas, a introdução dos símbolos da cultura bíblica judaica no cotidiano evangélico é um fenômeno da trama pentecostal no século XXI.

Atualmente a valorização da religião judaica é um fato. No Brasil, conceitos como “Terra Prometida” e “Povo Escolhido” são comuns na narrativa pentecostal brasileira. Essa religiosidade pode ser sentida nos cultos pentecostais através de pregações, canções, símbolos e ritos como os “atos proféticos”. Diferentemente de outros grupos cristãos brasileiros, que mantêm uma relativa distância dos elementos judaicos ou da defesa do Estado de Israel, o Pentecostalismo Brasileiro transmite um sentimento de forte afinidade para com Israel. Simbolicamente, Israel é um elemento presente na atuação dessas Igrejas, onde símbolos sionistas juntamente com alguns elementos da tradição judaica transformam tais igrejas em apoiadoras de Israel. Assim, a sua identificação com Jerusalém é fortemente sentida (GHERMAN, 2009).

Na América Latina duas vertentes pentecostais se sobressaem a partir do Neopentecostalismo, entendidas como Pentecostalismo Celular e Pentecostalismo Judaizado. O Neopentecostalismo é uma estrutura de passagem para estes Pentecostalismos. O Pentecostalismo Judaizado é uma tipologia heurística na “trama rizomática pentecostal”, e, assim como as demais categorias, sua finalidade é ordenar o real. A introdução da tradição religiosa judaica nas igrejas evangélicas brasileiras se intensificou nos últimos anos. Entre os pentecostais, essa tradição está imbuída de significado que dialoga com a experiência religiosa pentecostal.

Trata-se de um fenômeno que marca politicamente o cenário religioso brasileiro atualmente. A valorização de Israel pelo Pentecostalismo não se dá somente com a inserção dos símbolos judeus em seus cultos, mas há uma preocupação política com a própria sociedade israelense. Desse modo, houve mudanças no Movimento Pentecostal, elas começaram a se esboçar nos anos de 1990 com a intensificação das caravanas evangélicas para Israel e com a visão celular.

O ethos judaico se popularizou entre os pentecostais a partir dessa década e, desde então, Israel passa a testemunhar osurgimento de um movimento religioso dentro de suas fronteiras, o Pentecostalismo Brasileiro (GHERMAN, 2009). As fronteiras religiosas se alargaram entre Israel e Brasil através das viagens realizadas por líderes religiosos brasileiros para Jerusalém desde a década de 1970, e em 2000 elas se multiplicaram. O pastor pioneiro das viagens a Israel foi o ex-pastor presbiteriano Caio Fábio. Sua primeira experiência na Terra Santa ocorreu em 1977. Vale ressaltar que viajar em caravanas para a Terra Santa, entre os evangélicos brasileiros, é um hábito relativamente recente, afirma Miriane Frossard (2013).

O Jornal Mensageiro da Paz, na década de 1990, já fazia a publicidade das caravanas organizadas por pastores assembleianos de todo o Brasil para Israel. A evidência mais antiga deste tipo de caravana se refere a uma excursão organizada pela agência Viagens Bíblicas, no ano de 1974, contudo, segundo Frossard, as viagens religiosas para terra santa, por evangélicos, já ocorriam de forma independente.

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em 1981, iniciou as peregrinações a Jerusalém, após a primeira viagem que o Bispo Edir Macedo fez para lá em 1980. A igreja passou a divulgar que em 1997, no aniversário de seus 20 anos, levaria de uma só vez uma caravana de 2.300 pessoas para Terra Santa (MARIANO, 2005). E lá, recebeu uma homenagem do prefeito da cidade, Ehud Olmert, que estava muito satisfeito com a ocupação de quase toda a rede hoteleira. Desde então, surge o interesse das autoridades israelenses em receber o público evangélico, principalmente, o pentecostal (GOMES, 2004).

Outros pastores pentecostais como Silas Malafaia, Jonatas Câmara e Renê Terra Nova também já realizaram várias caravanas para Israel. As caravanas organizadas pelo Ministério Internacional da Restauração e pela Assembleia de Deus do Amazonas já fazem parte da agenda anual destas Igrejas. Terra Nova[5]é um dos líderes que já esteve mais de 50 vezes em Jerusalém e o Pastor Câmara conduz os/as fiéis assembleianos/as até Israel através da “Caravana Boas Novas Israel”.

Portanto, não há como evitar a percepção de que a adesão dos costumes judaicos nas comunidades pentecostais não é pueril ou simples, cujos efeitos da teologia dispensacionalista na vida das igrejas têm provocado essas convicções: os judeus se converterão e Jesus, em sua Segunda Vinda, se manifestará em Jerusalém. Percebe-se que os brasileiros e as brasileiras pentecostais se sentem responsáveis em levar os judeus à conversão já que o reino messiânico será estabelecido em Israel.

A Amazônia e a gênese do Pentecostalismo Judaizado   

Na cidade de Manaus, a tendência religiosa que denomino de Pentecostalismo Judaizado[6] tomou forma e irradiou-se para outros lugares, apesar da adesão intensa do mundo religioso judaico por todo o Brasil, mas é na Amazônia que esse fenômeno religioso ganha destaque.

O Pentecostalismo Judaizado é fruto de uma movimentação local do final do século XX. A estratégia evangelística popularmente conhecida pela comunidade evangélica brasileira como Visão Celular no Governo dos 12 (G12) influenciou várias igrejas pentecostais, bem como a divisão entre elas e o nascimento de outras. Na região Norte, esse modelo de evangelização consolidou o Ministério Internacional da Restauração (MIR) e gerou mudanças significativas na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM) e na Paz Church (antiga Igreja da Paz).

Na confluência entre o “rio pentecostal” e o afluente chamado Pentecostalismo Celular, os modelos evangelísticos fluíram, caracterizando cada igreja que abraçou o G12, considerado um método rígido e eficaz na propagação da mensagem cristã e na fidelização dos fiéis, os quais são vinculados à instituição religiosa por meio do discipulado que acontece fora do templo.

A explosão celular conectada à linguagem, às emoções, ao fervor religioso, às revelações, aos discursos e gestos efervescentes da tradição pentecostal foi identificada como uma manifestação avivalista por ser incomum no Brasil, intensificando o trânsito religioso entre fiéis de diferentes igrejas que buscavam pelo “renovo espiritual” ou avivamento.

Nesse sentido, o G12 foi considerado intenso movimento de reavivamento religioso em várias cidades da Amazônia. O MIR (Ministério Internacional da Restauração), a Paz Church e a IEADAM (Igreja Evangélica Assembleia de Deus) foram palcos de práticas como o discipulado, principal evidência de avivamento. Com o G12, as lideranças eclesiásticas buscavam crescimento dos/as membros/as, de templos e ampliação dos usos midiáticos, porém, o êxito deste método para a membresia das Igrejas reside em sentir a unção, a presença e o poder de Deus.

O Pentecostalismo Celular não se restringiu ao mundo evangélico amazônico, se estendeu para outros lugares do país. É por causa dessa pentecostalização que a Amazônia foi chamada de “Terra do Avivamento”, logo essa ideia me permitiu perceber os nexos entre o Pentecostalismo Celular e o Pentecostalismo Judaizado, ambos são transcorridos pelas ideias veterotestamentária e neotestamentária que, por sua vez, conectam religião e o mundo globalizado.

Esses rizomas ou conceitos em diálogo com o contexto amazônico redefiniram a religião pentecostal e se ampliaram para outros lugares de maneira multiforme. Portanto, a Amazônia é uma rede de ideias que percorre o Pentecostalismo Brasileiro, ambos são alinhados à lógica pós-moderna, ateando a pluralização dessa expressão de fé nas mais variadas formas.

Dois espaços geográficos se tornaram importantes na gênese do Pentecostalismo Celular na Amazônia brasileira: a Coreia do Sul (Ásia) e a Colômbia (América Latina). Desde o começo do século XX, o Pentecostalismo Brasileiro é um movimento transnacionalizado, influenciado pela América do Norte, porém, os acontecimentos religiosos no interior de Seul e Bogotá se deslocaram para a Amazônia brasileira “numa direção anversa às relações muito distanciadas que os modelam” (GIDDENS, 1991, p. 60). Portanto, o Pentecostalismo Celular é uma versão religiosa contemporânea da pós-modernidade.

Partindo dessas premissas, o Pentecostalismo Celular e o Pentecostalismo Judaizado são esquemas explicativos de fenômenos religiosos globalizantes, isto é, são versões modernas subjacentes ao contexto amazônico. Portanto, a partir daqui descreverei o Pentecostalismo Celular para apontar os aspectos que o conectam ao Pentecostalismo Judaizado.

A Célula de Evangelismo e Crescimento (CEC) é o modelo de evangelização celular criado pela Assembleia de Deus no Amazonas. Seus líderes, influenciados pelo G12 que se propagava pela América Latina, abraçaram esse método evangelístico, cuja finalidade missionária é alcançar mais pessoas com a mensagem da Grande Comissão. “Cada casa uma extensão da igreja, cada crente um ministro” envolvia os crentes mais antigos e mais novos em um processo de transição entre o evangelismo clássico e o evangelismo celular[7].

As pesquisas consideram o apóstolo Renê Terra Nova responsável pela migração da Visão Celular no Governo dos 12 para o Brasil. Em Manaus, fundou a primeira “igreja em células” do país, tornando a capital amazonense principal centro de divulgação desse método evangelístico para outros Estados, formando uma rede de igrejas ligadas a esse modelo de crescimento eclesiástico. Além disso, inspirou outras denominações pentecostais a criarem seus próprios modelos de discipulado, por exemplo, a IEADAM (Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas) criou a Célula de Evangelismo e Crescimento (CEC) e, desde então, denomina-se uma igreja “na Visão”.

Nesse rizoma, ganham destaque o Ministério da Restauração (MIR, 1992), a Paz Church (1976) e a Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM, 1918). O que há de comum entre essas igrejas? Historicamente foram fundadas na Amazônia; o expressivo crescimento quantitativo nas últimas décadas; eclesiasticamente estão organizadas em células; diferentemente ressignificaram o G12; a expansão nacional; e a forte influência na esfera política local. Tanto a IEADAM quanto a Paz Church fizeram a transição para a “Igreja em Células”, ou seja, estas comunidades pentecostais não surgiram sob a estrutura eclesiástica, ritualística e evangelística que caracterizam a Visão Celular. A Paz Church fez a transição em 1993 e a IEADAM em 2000[8].

Para aclarar as especificidades do Pentecostalismo Celular, é importante, primeiramente, entender que a Amazônia entrou para a história mais uma vez do Movimento Pentecostal como o lugar de se estabelecer um trabalho missionário inovador entre brasileiros e brasileiras. É nesse contexto evangelístico que o “Israel ficto” entra em cena.

O começo do século XXI testemunhou um longo esforço das comunidades pentecostais e neopentecostais em obter reconhecimento. Considero que o crescimento provocado pela Visão Celular alinhado à teologia da prosperidade, do Dispensacionalismo e do pró-Israel assegurou pleno reconhecimento. O G12 instalou-se na região a partir de alguns modelos, acirrando a disputa entre os mesmos, mas compartilhavam suas próprias inovações[9].

A cidade de Santarém/PA é o berço do Movimento de Discipulado Apostólico (MDA) –, oficializado em 1999 – e sob o lema “Todo mundo discipulado e todo discípulo um líder compromissado” consolidou e espalhou a Paz Church pela Bacia Amazônica, pelas capitais do Norte e pelas demais regiões brasileiras, tornando-se referência nacional quanto ao seu modelo de discipulado. A sua expansão nacional e internacional (Guiana Inglesa, Venezuela, Japão, Itália, Portugal, Cabo Verde, Estados Unidos) a coloca como uma das maiores igrejas em células do Brasil.

A cidade de Manaus/AM é o berço da Visão Celular no Modelo dos 12 (M12)[10]. Assim como o MDA, o M12 e a CEC tornaram-se importantes movimentos religiosos no complexo e dinâmico contexto amazônico. Semelhantemente, são resultados, principalmente, dos modelos de Seul e Colômbia. Seus idealizadores, em vários momentos, viajaram para esses países visando conhecer o funcionamento dos Grupos Familiares criado por David Yonggi Cho e da Visão Celular no Governo dos 12 de César Castellanos. Nesse processo de construção e adaptação, os modelos brasileiros se desenharam e se fortaleceram localmente.

Apesar da implantação da Visão Celular no Governo dos 12 (G12) no Brasil pelo MIR, inicialmente reestruturou organizacionalmente a sua metodologia de crescimento sob a influência da Paz Church. A pesquisa de Claudio Nascimento (2015) aponta que os grupos familiares do MIR começaram a crescer a partir da chegada do atual Apóstolo Mauricio Castro[11]. Após conclusão do Seminário Teológico do Instituto de Treinamento Ministerial em Santarém/PA (ITM, 1996) – onde conheceu o projeto de discipulado –, foi convidado pelo MIR e adequou os poucos grupos familiares à estrutura organizacional da Paz Church. E em 1998, o MIR abriu mão do modelo coreano e adaptou-se ao modelo colombiano, porém, em 2008 o modelo miriano passou a se chamar M12 (Visão Celular no Modelo dos 12) e, desde então, seu crescimento foi notório na cidade de Manaus.

O Pentecostalismo Celular, além de ser atravessado pela Visão Celular, traz em seu bojo duas visões importantes։ a visão apostólica (se fundamenta no Novo Testamento) e a Visão de Jerusalém (se fundamenta no Antigo Testamento). Essas visões dão originalidade a essa expressão de fé na Amazônia, por isso, não há como deixar de relacioná-las. São ideologias sem as quais é impossível compreender o Pentecostalismo Judaizado, categoria que delineia Israel como um empreendimento de restauração do Cristianismo verdadeiro[12].

Explico: do ponto de vista sociológico, a visão de Jerusalém rompe com o Cristianismo Romano como modelo de organização religiosa, influente no modo de agir e pensar dos povos cristianizados. Sua influência direta moldou a visão cristã, por isso, a observância da tradição judaica é legítima, acreditam os/as interlocutores/as da pesquisa. Além disso, julgam as comunidades religiosas estudadas que a tradição cristã foi construída fora das Sagradas Escrituras e dos ensinamentos da igreja apostólica.

Este entendimento se centra sobre a construção de uma nova identidade cristã desvinculada literalmente do Catolicismo Romano, que não permitiu por muito tempo aos seus adeptos a leitura das Sagradas Escrituras, assim, sob o auspício das visões apostólica e de Jerusalém, sustenta-se que a Igreja genuína não é romana, em outros termos, Israel é o modelo a ser seguido pela igreja e não Roma, haja vista que Deus escolheu esse povo para a redenção de toda a humanidade. Israel é a própria dispensação divina para o mundo.

Desde que o Cristianismo se tornou a religião oficial de Roma, em 381, o imaginário cristão permaneceu vinculado aos romanos, mesmo com a Reforma Protestante em 1517 que tentou banir energicamente a vida simbólica ligada a esse Cristianismo. Mas, não se pode negar que a dominação histórica imperial romana na Palestina é o painel da gênese cristã, ademais, “a igreja em Roma foi, sem dúvida, a mais importante congregação cristã. […], possuía o maior número de membros e suas raízes remontam a Pedro e a Paulo” (SCHWARZ, 2002, p.157).

Numa perspectiva territorial, o Pentecostalismo Judaizado rompe com a Europa Católica, passa pela América do Norte Protestante e aponta para a Palestina Israelense. A tradição pentecostal a partir de 1948 tem um lugar sagrado para visitação, assim como os católicos (Roma) e os chamados protestantes reformados (Alemanha).

Mas, o que isso tem a ver com a Amazônia? O mundo simbólico judaico se mostrou surpreendente aos olhos de seus sujeitos sociais, principalmente ao Movimento Pentecostal local. É em meio a tais noções que a Amazônia se relaciona diretamente com as visões celular, apostólica e de Jerusalém – noções que dão forma ao Pentecostalismo Judaizado.

O sermão do Apóstolo Renê Terra Nova na segunda noite da Festa dos Tabernáculos em 2020 garantiu que

Manaus é o shofar de Deus para o Brasil, Manaus é o pulmão de Deus. […] é o shofar de Deus, daqui sopra a benção. A palavra Amazônia significa o sopro de Deus sobre o povo. Eu quero dizer que nós temos o sopro de Deus sobre nós. E eu quero dizer pra vocês: sejam bem-vindos à terra que o mundo todo está olhando pra ela. A terra que vai se tornar também a terra que mana leite e mel literalmente para o povo que aqui habita, como disse a palavra do eterno ‘o Senhor diz que Israel é a terra da promessa, a terra prometida’. […]. Se Israel soprou o shofar na nossa direção e disse pro Brasil։ Brasil você é terra da promessa. Eu me agarro a essa promessa em nome do Senhor Jesus.

Neste pequeno trecho há uma chave de resposta para o questionamento acima e esboça-se um discurso teológico inerente à Amazônia. Esse discurso de cunho religioso usa o “Israel imaginário” para justificar Manaus como a Terra da Promessa e produz-se uma teologia a partir desse “Israel ficto”. À primeira vista, essa narrativa pode parecer simples, contudo, complexa e importante para a compreensão histórica do “rizoma pentecostal” brasileiro.

Trata-se de uma teologia que explora a história de Israel e apresenta a Amazônia como o lugar onde o chamado de Deus para o apostolado e discipulado acontecem. Enquanto Israel é o país da Palestina em que Cristo irá governar todas as nações por mil anos; no Brasil, a Amazônia é o lugar de onde se toca o shofar que desperta a nação brasileira e os demais países da América Latina para o avivamento. A Amazônia é acessada através de uma hermenêutica israelense que defende o direito dos judeus à sua terra prometida.

Desse modo, a Amazônia também é ficta nessa narrativa, o “Pulmão do Mundo” é a imagem que ainda permeia esse imaginário. Sob esse ponto de vista, ao mesmo tempo que essa teologia cria uma falsa imagem de um povo amazônico eleito – como Israel – que vive numa terra de muitas riquezas naturais, ela é excludente, compromete a riqueza multicultural local e se insere em um processo de homogeneização/colonização. Na Amazônia, essa teologia aparece como conquistadora e não como libertadora, ao ponto que hoje faz parte da vida particular de vários sujeitos que vivem nessa região, principalmente nas cidades.

Faço essa observação porque não percebo nessa teologia a valorização da biodiversidade e da sociodiversidade local. E isso para mim é um dilema, pois valoriza-se uma memória e uma identidade religiosa que, de certa forma, não é nossa, logo temos uma geração que desconhece a sua origem cultural e sem pertencimento ao mundo que aqui foi construído sob o jugo de várias mazelas históricas. Ao mesmo tempo, percebo que os/as evangélicos/as pentecostais percorrem por esse caminho para manter suas crenças na cultura bíblica israelense porque consegue moldá-la no seu mundo espiritual, entretanto, essa prática impulsiona o pluralismo cultural. Em suma, Israel aparece no campo das ideias como o portador da promessa, já a Amazônia portadora do avivamento. Nessa “trama rizomática pentecostal” se destacam a Amazônia, o Pentecostalismo, o Dispensacionalismo e o Sionismo.

Considerações Finais

Ao longo deste texto demostrei que a apropriação da tradição veterotestamentária pelas igrejas (neo)pentecostais estudadas foram analisadas por um caminho tipológico que chamei de Pentecostalismo Judaizado. Esse tipo ideal revelou que a religiosidade pentecostal na contemporaneidade buscou estabelecer paralelo entre as representações simbólicas da sociedade israelense e os dilemas sociais e políticos da sociedade brasileira.

Na esteira dessa tipologia, no Brasil as igrejas pentecostais romperam com a imagem acanhada em relação as aspirações patriotas, educacionais, políticas e econômicas. Nessa trama social, a convicção dispensacionalista é pano de fundo que esboça juízos conservadores, interessados numa reforma dos comportamentos éticos e políticos. Afinal, os crentes pentecostais estão a serviço do reino terreno e espiritual.

No âmbito do rizoma Pentecostalismo Judaizado, religiosidade que combina tradição teológica judaico-cristã, política e economia. É verdade, é uma intrigante mistura, entretanto, estas são as fronteiras que o Movimento Pentecostal está mergulhado. Como consequência, é quase impossível falar do Pentecostalismo Brasileiro sem levar em conta Israel. Trata-se de um elemento moderno na vida das igrejas, amplamente difundido pela teologia Dispensacionalista, bem como na prática missiológica, na postura política partidária e em sua visão escatológica.

É no universo religioso amazônico que esse rizoma pentecostal nasceu. Sua gênese se encontra na ação religiosa de indivíduos que criaram ritos, cultos, retóricas, eventos, homilias a partir das experiências com o movimento celular, recriando, assim, outras representações quanto ao espaço social onde vivem com base na tradição vetero e neotestamentária.

“Amazônia: terra do avivamento” e “Amazônia: o shofar de Deus para o mundo” são representações construídas recentemente com base numa leitura literal da Bíblia. Tais visões de mundo caracterizam, principalmente, a AD e o MIR, cujas igrejas nasceram no Norte, contudo, a trajetória histórica é diferente. Apesar da contradição, por um lado, essas visões colocam a Amazônia na vanguarda do Pentecostalismo Nacional e Mundial, por outro, estão carregadas de interesses, ambas são caricaturas de projetos proselitista, colonialista e capitalista. Por trás dessa retórica, frequente nas celebrações, está um Israel imaginário, e em torno deste formou-se uma rede de interesses políticos e econômicos que resultou numa associação com o fundamentalismo e conservadorismo.

Israel no imaginário pentecostal coloca a Amazônia dentro de um quadro histórico recente. No dia a dia das igrejas estudadas Israel aparece como salvacionista, caminho de cura e libertação, porém, nesse quadro não há discursos de tolerância e tão pouco de defesa da própria Amazônia. E isso chama atenção já que os elementos aqui apresentados enfraqueceram o diálogo inter-religioso numa das regiões com o maior número de pentecostais. Portanto, uma postura ainda mais colonialista e radical desde a virada do milênio começou a se propagar entre os crentes pentecostais na Amazônia. A referência é o Estado Israelense, nação intocável eticamente e moralmente.

Com os congressos de células organizados periodicamente, encontros e os atos proféticos, a escola de líderes se formava, a meu ver, o Pentecostalismo Judaizado, o qual está associado com outra forma de encarar o mundo. Nesses eventos se falava em educação, trabalho, saúde, profissão, família, ação social, lazer, esporte, poupança, saúde mental, mas o interesse dessa retórica sempre foi a salvação, provocando comportamentos fundamentalistas no sentido de apontar o que é moral e imoral na cultura brasileira, isto quer dizer que essa leitura de mundo preservava o status quo que já existia entre os crentes pentecostais.

Observei que nessas manifestações religiosas a apropriação dos símbolos judaicos também é de interesses político-ideológico. Assim, a retórica política evangélica centrada na imagem de um Israel eleito é uma estratégia com vistas a conversão do Brasil. Nesse sentido, a Visão Celular transfigurada pela Visão de Jerusalém é um dos elementos-chaves que aproximou Israel e o discurso político partidário de defesa dos bons costumes. Conclusão։ o “Nacionalismo Judaizado” se consolida com o discurso do conservadorismo.

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Notas

[1] Hoje também conhecido como Davyd Younggi Cho. Seu nome de batismo foi trocado, por ter sido instruído por Deus para mudar seu nome. Simbolicamente representaria a sua própria ressurreição. De base familiar budista, se converteu aos 19 anos ao Pentecostalismo, no qual experimentou o Batismo com Espírito Santo.

[2] No dia 19 de novembro de 2018, passou a ser chamada de Paz Church devido à expansão internacional. Para a liderança da igreja, esse nome comunica uma proposta de missão global, abrangente e inclusiva.

[3] Em 2007, viajou para Seul com um grupo de membros de sua igreja para conhecer a estratégia evangelística de Cho. Liderou algumas caravanas de fiéis para Seul para participarem dos encontros acerca do Projeto Grupo Familiares, bem como manteve relação diplomática com a Coréia.

[4] O Pastor Davyd (Paul) Yonggi Cho esteve no Brasil em março de 1983, lotando o Estádio do Pacaembu/SP.

[5] Sua primeira vagem à Terra Santa foi em 1994.

[6] Essa categoria analítica foi cunhada durante a pesquisa de doutorado “As complexas tramas e o Pentecostalismo Judaizado”.

[7] No evangelismo clássico, cada crente pessoalmente era responsável em anunciar a mensagem cristã sem a exigência de prestar contas em relação ao número de pessoas convertidas ou conduzidas ao arrependimento dos pecados. O novo convertido era acompanhado por toda a comunidade religiosa na consolidação da vida cristã, isto é, o discipulado não era realizado unicamente pela pessoa que anunciou a mensagem de conversão. O evangelismo celular é individual e focado na salvação dos pecadores, mas presta conta de quantas pessoas foram inseridas na Igreja através dos líderes das células. É interessante notar que esse discipulado dá ao líder controle sobre a vida privada das pessoas que integram a célula. Por levá-las à conversão, exercem o direito de protegê-los e guiá-los espiritualmente.

[8] Com o crescimento exponencial tornaram-se influentes tanto na esfera religiosa quanto na esfera política.  Como já foi explicado, o MIR é o principal difusor desse Pentecostalismo pelo país, porém, a Igreja da Paz toma uma dimensão extraordinária a partir de 1993 quando resolve adotar o modelo celular ou discipulado de evangelização na cidade de Santarém, ao ponto que essa igreja se torna referência, assim como o MIR, em relação à implantação do MDA e M12 em diferentes Igrejas.

[9] Isto quer dizer que mirianos viajavam para Santarém para participar de eventos relacionados ao MDA, bem como fiéis da Paz Church foram convidados inúmeras vezes para ajudar os assembleianos em seus congressos de consolidação da CEC em Manaus. 

[10] O apóstolo Terra Nova ao romper com o pastor César Castellanos criou a Visão Celular no Modelo dos 12 (M12).

[11] Saiu do Ministério Internacional da Restauração (MIR) em 2012 para fundar o Ministério Evangelístico Global Apostólico (MEGA REINO) na cidade de Manaus.

[12] Na versão pentecostal oriental, o elemento chave é a célula. Esse fenômeno coreano contagiou o espaço religioso local porque trouxe em seu bojo características peculiares do Pentecostalismo Moderno e até mesmo do Cristianismo, a saber: as ideias em torno da igreja primitiva; as experiências místicas/entusiastas; o reavivamento; o leigo e sua teologia descolarizada.

Sobre o autor

Liliane Costa de Oliveira

Cientista Social (UFAM), Mestre em Sociologia (UFAM) e Doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA/UFAM). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Religião, Cultura e Imaginário da Universidade Federal do Amazonas. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Diálogos da Diáspora - Racismo e Antissemitismo, do Labô.