Nelson Rodrigues: Literatura, Filosofia e Religião

Uma leitura Frankliana em Nelson Rodrigues

Tragédia, fome, dor, morte, transcendência, sentido e amor, são só palavras. Mas, para além da construção semântica destas, vemos que estes termos são definidos na existência, que é única em sua singularidade. Uma impressão digital da alma no mundo. Estes marcadores existenciais fazem com que consigamos reconhecer, construir e viver o sentido, nos possibilitam uma vasta construção pessoal e coletiva. E é deste ponto que a proposição sobre uma leitura Frankliana em Nelson Rodrigues irá partir.

Por que estudar Nelson Rodrigues? Estudar a Vida como Ela É foi nos mostrando inúmeras narrativas de tragédias nos personagens e também na vida que nos cerca. São tão vastas e ricas as possibilidades trágicas rodriguianas, que chegamos facilmente à conclusão de que Nelson Rodrigues é um autor trágico. Deste ponto, levanto algumas questões: (i) Nelson descreve o trágico de forma a incorporar um estilo literário ou escreve sobre a existência trágica de seus personagens como um reflexo das verdades mais pulsantes e enclausuradas contidas no desejo humano? (ii) Nelson descreve o trágico ou reconhece a tristeza visceral, da existência miserável que o ser humano constrói com as escolhas que faz?

Nelson fazia o seguinte exercício criativo: tomava seu café da manhã, em uma padaria, e se perguntava: Qual é a boa do dia? Se colocava a escutar, encaminhava-se para a redação e escrevia um de seus contos. Sua inspiração não vinha apenas desta ação pré-escrita, pois a sua vida foi marcada por inúmeras tragédias. Desta síntese, saíam pensamentos como estes: “Essa vida é uma boa droga”[1] ou “O que havia, no mais íntimo de si mesma, era uma angústia intolerável, a vontade de fugir e, ao mesmo tempo, um ressentimento contra o marido que não se fizera amar”.[2] O caminho simples de suas palavras não tira a profundidade e os múltiplos impactos possíveis ao leitor. Nesta mesma direção, do simples e profundo, Frankl escreveu o seu relato, uma descrição trágica que, ressalvadas as proporções do impacto histórico, se assemelham com as narrativas contidas no pensamento rodriguiano: “Sabemos que nada mais temos a perder a não ser uma vida ridiculamente nua”[3]ou “Quem não perde a cabeça com certas coisas é porque não tem cabeça para perder”.[4]

Nelson teve uma infância marcada pela fome. A situação financeira de seus pais o fizera passar por essa experiência. Descobriu, muito cedo, o valor do ouro, não o metal precioso, mas o que escorria do pão de um colega de escola. Uma criança fazendo a associação que um ovo, que comer, que não sentir fome, é uma das maiores riquezas que podemos ter, é um grande marcador para sua existência. Perdeu seu irmão assassinado na redação do jornal que trabalhava, mas, por ironia do destino, não era seu irmão o morto desejado: na ausência do seu pai, servia qualquer Rodrigues. Após essa morte trágica, conheceu a dor em muitas e novas expressões. A dor de perder o irmão, ver a dor da sua mãe, mas, em especial, a dor do seu pai, que viu seu filho ter sua vida ceifada. O seu desespero e desgosto foram tão grandes que três meses depois seu pai faleceu. O motivo: desgosto. Nelson, além de perder o seu irmão Mário, perdeu o pai. A assassina fez o trabalho de matar o filho e matar a vida do seu pai. Esse marcador existencial traz o paradoxo que seu pai viveu, a angústia noogênica[5] de estar vivo de corpo, mas morto na alma. Morrer de desgosto foi um suicídio existencial? Essa dor, que Nelson vivenciou com essas mortes, é um outro grande marcador em sua obra. A dor que fere o corpo, a dor que fere a alma, são possibilidades contidas na psique humana, mas que contribuem na formação de atitudes na existência. Esta tensão é amplamente ilustrada em sua literatura, das mais diversas formas. Nas palavras de Almeida “… um escritor que já desenhava a condição humana latente nas letras. Morte e sexo eram e continuam sendo inquietantes”.[6]

Descrever a condição humana no viés da morte é ácido e lúcido. A experiência contida na morte, a dor existente na condição última do ser humano, aos olhos de Nelson Rodrigues, trazem para a sua literatura grandes reflexões. O autor ousa não se paralisar frente ao sofrimento, simplesmente o descreve, com riqueza de detalhes. É isso que vemos em suas crônicas. Nas palavras de Nelson:

“O homem é triste e repito: – triste do berço ao túmulo, triste da primeira à última lágrima. Nada soa mais falso do que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama de um círio. Pode-se dizer ainda que é triste. A vida como ela é… – Porque o homem morre. Que importa tudo o mais, se a morte nos espera em qualquer esquina? Convém não esquecer que o homem é, ao mesmo tempo, o seu próprio cadáver. Hora após hora, dia após dia, ele amadurece para morrer.”[7]

Nelson escreve e encara a morte de forma “ridiculamente nua”[8]. O que o escritor, jornalista e dramaturgo possui em comum com o psiquiatra judeu? A obra de Frankl também é marcada pela tragédia. O promissor psiquiatra demonstrava uma profunda curiosidade sobre a condição humana. Possuía um vasto conhecimento de grandes obras da psicologia profunda, filosofia e literatura. Assim como Nelson, Frankl também apreciava a obra de Dostoievski, chegando a usar uma frase deste autor em uma de suas principais obras “Em busca de sentido”: “Então nos dávamos conta daquela frase de Dostoievski, que define o ser humano como o ser que a tudo se habitua.”[9] Foi adquirindo uma maturidade teórica, para compreender que ele, enquanto produtor de pesquisas, não passaria sua vida refutando e se debatendo com grandes teorias e com grandes teóricos como Freud e Adler. Chega a brincar, em uma de suas conferências, que ele subiu nos ombros deles, para poder observar a psicologia profunda sob uma nova perspectiva. Passa a observar a noogênese humana, enquanto até então a psicanálise analisava apenas a psicogênese dessa condição.

Frankl já enfrentava em sua prática médica a visualização de um sofrimento agudo. Em muitos casos, o esgotamento do sentido e a ausência da vontade de sentido eram vistos. Ele, que era o diretor de uma ala psiquiátrica de suicidas adolescentes, foi percebendo, aos poucos, que havia algo para além das estruturas psíquicas. Começava a perceber e reconhecer a possibilidade de a existência ser uma fonte geradora dos sintomas e não apenas a estrutura da psiquê, como Freud postulava. Se intrigava muito com essa condição humana extrema, onde o sofrimento é tão dilacerante, que a única resposta possível era a morte. E passou a aplicar neste cenário a logoterapia. Enquanto Frankl abordava de forma real, Nelson descreveu, de forma literária, inúmeros suicídios e suas motivações. Suicídios por dor e amor, por desespero e por redenção. Nelson e Frankl, escreveram “A Vida Como Ela É”.

Frankl viveu a escassez oriunda das guerras. O acesso ao básico era negado. A vida era difícil e, ainda mais, por ele ser judeu. Mas mesmo tendo uma situação privilegiada, o autor entende que sua vida não teria sentido se somente ele sobrevivesse. Vendo boa parte de sua família ser levada aos campos de concentração, ele decide não ter medo do sofrimento que passaria com a guerra e escolhe não fugir para os Estados Unidos. Passa a ver o sofrimento como oportunidade para testar a teoria que havia escrito. Assim como Nelson, Frankl viu no sofrimento uma oportunidade de amadurecimento. Nas palavras de Frankl:

“A possibilidade de optar por viver a vida como uma arte, mesmo em pleno campo de concentração, é dada pelo fato de a vida ali ser muito rica de contrastes. E os efeitos contrastantes, por sua vez, pressupõem certa relatividade de todo sofrimento. Em sentido figurado, se poderia dizer que o sofrimento do ser humano é como algo em estado gasoso. Assim como determinada quantidade de gás preenche um espaço oco sempre de modo uniforme e integral, não importando as dimensões desse espaço, o sofrimento, seja grande ou pequeno, ocupa toda a alma da pessoa humana, o consciente humano.”[10]

Passa por muita fome, e tinha a consciência de que o alimento que eles recebiam no campo eram insuficientes para alimentá-los. Acreditava que era muito perigoso falar sobre comida, pois esta trazia uma ilusão perigosa em níveis fisiológicos. Sendo assim, ele decidiu fracionar sua alimentação: a sopa aguada com um pedaço de batatas e duas ervilhas para a noite, enquanto o pedaço de pão era reservado para o dia seguinte, e comido quando a fome chegasse às margens do desespero. Neste momento, ele teria o consolo de um pedaço de pão, que era quase sempre velho e mofado. Frankl, assim como Nelson, descobriu que o ouro não é o bem mais precioso, mas sim não ter fome.

Frankl, experiencia algo existente na literatura de Nelson, a tensão da dor física e a dor da alma. Nas palavras de Frankl:

“A dor física causada por golpes não é o mais importante (…) A dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão é o que mais dói numa hora dessas. Assim é compreensível que um golpe que nem chegue a acertar eventualmente pode doer até muito mais.” [11]

Assim como Frankl, Nelson também escreve sobre a dor física ser menor do que a dor da alma, no livro “A Menina Sem Estrela”. Em um dos contos[12], descreve que havia feito, uma cirurgia na vesícula, e qual era a dor que doía? “fui operado, voltei para o quarto e, com pouco mais, começava a sofrer. Mas o meu sofrimento nada tinha a ver com a carne ferida. Era uma angústia como eu não conhecia. (…) Estava morrendo e ninguém me visitava”.[13]

Voltando às dores de Frankl, a dor gerada pelas mortes das pessoas que ele amava foi muito intensa. Foi difícil perder definitivamente a sua família para a guerra. Em relação ao seu pai, o teve morrendo praticamente em seus braços, pois estava trabalhando na enfermaria. Mas antes deste mal acontecer, teve a oportunidade de roubar medicações para aliviar a dor física do então paciente. E ele vê, neste sofrimento de perder o pai, em seus braços, um privilégio de ter feito com que sua partida fosse menos dolorida e mais honrosa. Acredita que foi válido viver, apenas, pelo simples ato de ter podido retirar um pouco da aflição do seu pai. Fez com que toda a experiencia do sofrimento em sua vida tivesse um sentido edificante. “Vou contar ao mundo o que vi em Auschwitz – na esperança de que o mundo se tornasse outro. Mas o mundo não mudou, e verdadeiramente qual é o sentido do sofrimento. O sofrimento tem um sentido quanto tu mesmo tornas-te outro.” [14]

A possibilidade de aprendermos com o sofrimento pode nos fortalecer e nos amadurecer. E esse entendimento frankliano também se faz presente, como um entendimento rodriguiano. Ruy Castro, em “O Anjo Pornográfico, biografia de Nelson Rodrigues nos exemplifica:

“(…) a ficção para ser purificadora precisa ser atroz. O personagem é vil, para que não sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de cada um de nós. A partir do momento em que Ana Karenina, ou Bovary, trai, muitas senhoras na vida real deixarão de fazê-lo. No Crime e Castigo, Raskónikov mata uma velha e, no mesmo instante, o ódio social que fermenta em nós estava diminuído, aplacado. Ele matou por todos nós. E, no teatro, que é mais plástico, direto e de impacto tão mais puro, esse fenômeno de transferência torna-se mais válido. Para salvar a plateia, é preciso encher o palco de assassinos, de adúlteros, de insanos e, em suma, de uma rajada de monstros. São os nossos monstros, dos quais eventualmente nos libertamos, para depois recriá-los”.[15]

Nelson traz o sofrimento que imita a vida com a pretensão de que, ao lermos, possamos compreender nossas tragédias e dores. Ler apenas, sem a necessidade de reproduzirmos. Frankl traz o sofrimento que imita a arte e deseja que, a partir desta experiência, possamos viver a vida, aprendendo com tudo o que ela nos proporciona. Assim, viver “A Vida Como Ela É…” é uma busca por sentido? Ou buscar o sentido é “A Vida Como Ela É…?”.

Os personagens de Nelson se debatem para encontrar a felicidade. Em “Toda Nudez Será Castigada”, por exemplo, Herculano queria ser feliz com Gení. Ela, por sua vez, amava verdadeiramente o filho de Herculano, e o filho de Herculano amava o ladrão boliviano. O filho de Herculano queria que seu pai vivesse um luto eterno por sua mãe, que morrera há pouco. Todos os personagens passam por um breve momento de felicidade. Mas quando a verdade ou realidade foram se mostrando, vemos as profundezas dos personagens, conseguimos perceber que todos estavam buscando freneticamente ser felizes, amar e ser amados, ou seja, ter uma vida repleta de sentido. Mas isso não foi possível nesta peça de Nelson, assim como muitas vezes acontece na “vida como ela é”. Nelson não é um autor de finais felizes.

Nelson e Frankl não acreditam em uma felicidade que é construída sem um grande custo experiencial. O sofrimento e o amor são explícitos. Ambos fazem uma leitura do amor, fora das estruturas românticas. Nas palavras de Frankl “Amor é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo da sua personalidade(…) Conscientizando-a do que ela pode ser e do que deveria vir a ser, aquele que ama faz com que essas potencialidades venham a se realizar”.[16]O amor é visceral, duro e as vezes sofrível. Por isso, se faz necessário que o amor caminhe ao lado da transcendência, para que ele possa existir. Nas palavras de Almeida, fazendo uma análise rodriguiana sobre o amor:

“Quanto ao amor, pode ser até necessário em algum momento, mas, para isso, é preciso sair de seu lugar confortável e se entregar ao outro. Porém, deve-se descobrir que existe outro que vá além do “Sou, ou não bonito”, além de sua própria imagem refletida [17]

O amor é um sentimento complexo, extremo e primitivo. Nas palavras de Frankl:

“O amor é um fenômeno tão primário como o sexo. Normalmente, sexo é uma modalidade de expressão do amor. O sexo se justifica, e é até santificado, no momento que for veículo do amor, porém apenas enquanto for.”[18]

Em Nelson, há muito sobre sexo e morte. O amor, fora do escopo romântico, é algo que, para existir, precisa de uma certa tensão. Essa tensão entre o ser e o dever ser. Uma tensão é possível se realizada com e na transcendência Frankliana, pois, não basta apenas você ser feliz e ter um belo parceiro ao seu lado. O amor, para se realizar, tem que ir além da beleza do físico, tem que transpor as barreiras do seu ser, se realizar apenas quando você for capaz de fazer o outro feliz. Não existe a possibilidade de existir um amor unilateral. Todo amor egoísta, em termos rodriguianos, morre em si. É isso que vemos em suas crônicas, e também é isso que postula a leitura Frankliana do amor. Nas palavras de Frankl “Compreendo agora o sentido das coisas últimas e extremas que podem ser expressas em pensamento e poesia – e em fé humana: A redenção pelo amor e no amor.”[19]

A literatura de Nelson descreve o que a teoria de Frankl apresenta. A complexidade do amor, os paradoxos contidos em sua vivência, a inevitabilidade de sofrer. Assim, não existe para Frankl, e nem para Nelson, um “felizes para sempre”. Para ser amor, há de haver angústia, desespero e sofrimento. Para viver o amor, tem que haver o esquecer-se, o rasgar-se, o desnudar-se de corpo e alma, e tudo isso sem nenhuma garantia. E tudo isso sentindo-se extasiado. Deixa-se, para encontrar-se e realizar-se na felicidade do outro. Isso é um amor transcendente para Frankl. Essa psicodinâmica possui uma potência que consome toda a vida de quem ama. E tudo isso se faz necessário, pois um amor, sem essas provas, não seria amor. Mesmo com essa realidade visceral, ele não se acaba, mas sim se fortalece, e se perpetua, e pode ser vivido a qualquer momento, desde que seja na frequência que Nelson descreve: “Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor”.[20]

[1] RODRIGUES, N. A Vida Como Ela É… Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 2012. P. 96.

[2] RODRIGUES, N. A Vida Como Ela É… Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 2012. P. 110.

[3] FRANKL, V. Em Busca de Sentido. Ed. Vozes. Petrópolis, 2024. P. 30.

[4] FRANKL, V. Em Busca de Sentido. Ed. Vozes. Petrópolis, 2024. P. 34.

[5] Viktor Frankl trabalha o conceito da angústia noogênica nos pressupostos teóricos da logoterapia.

[6] ALMEIDA, C.C.S. O Pecado Contemporâneo na Obra de Nelson Rodrigues. Ed. É Realizações. São Paulo 2019. P.38

[7] RODRIGUES, N. A Vida Como Ela É… Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 2012. P. 459.

[8] Expressão de Viktor Frankl.

[9] FRANKL, V. Em Busca de Sentido. Ed. Vozes. Petrópolis, 2024. P. 32

[10] FRANKL, V. Em Busca de Sentido. Ed. Vozes. Petrópolis, 2024. P. 63.

[11] FRANKL, V. Em Busca de Sentido. Ed. Vozes. Petrópolis, 2024. P. 39.

[12] A Menina Sem Estrela, conto 19.

[13] RODRIGUES, N. A Menina Sem Estrela. Ed. Companhia da Letras. São Paulo, 1994.

[14] FRANKL, V. O sofrimento de uma vida sem sentido. Ed. É realizações. São Paulo, 2015. p. 30

[15] CASTRO, R. O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues. Ed. Companhia das Letras. São Paulo, 1992. P. 273

[16] FRANKL, V. O sofrimento de uma vida sem sentido. Ed. É realizações. São Paulo, 2015. p. 136.

[17] ALMEIDA, C.C.S. O Pecado Contemporâneo na Obra de Nelson Rodrigues. Ed. É Realizações. São Paulo 2019. P.110.

[18] FRANKL, V. O sofrimento de uma vida sem sentido. Ed. É realizações. São Paulo, 2015. p.136.

[19] FRANKL, V. Em Busca de Sentido. Ed. Vozes. Petrópolis, 2024. P. 55.

[20] RODRIGUES, N.

Imagem: detalhe de Female Artist (1910) – Ernst Ludwig Kirchner

Sobre o autor

Daniele Batagin

Psicóloga clínica. Mestre em Ciência da Religião pela PUC-SP. Pesquisadora do grupo de estudo Nelson Rodrigues: Literatura, Filosofia e Religião do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.