Arte Sacra Contemporânea: Religião e História

Contra a heresia das máquinas

“O homem não é nem anjo nem besta, e o infortúnio quer que quem quer fazer o anjo faz a besta”
Blaise Pascal

Há documentos que chegam na hora certa e outros que chegam demasiado tarde. A encíclica[1] Magnifica Humanitas, publicada a 25 de maio de 2026 pelo Papa Leão XIV, agostiniano norte-americano que, não sem alguma ironia providencial, sucede ao jesuíta Francisco num pontificado que prometia, e ainda promete, ser tudo menos tranquilo, pertence, felizmente, à primeira categoria.

Assinada no exato 135º aniversário da Rerum Novarum de Leão XIII e dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, o documento é muito mais do que uma nota pastoral sobre gadgets e algoritmos, embora seja quase inevitável que assim seja reduzida nos suplementos de tecnologia da grande imprensa. Pode-se tê-la por uma intervenção civilizacional, ou, pelo menos, uma tentativa séria e honesta de sê-lo, que merece ser lida com a mesma seriedade com que foi escrita, pois está em jogo tanto o futuro da tecnologia quanto o futuro do homem, embora o mundo contemporâneo já não consiga distingui-los.

Uma herança incômoda e gloriosa

Para compreender o peso do documento e a dignidade da tradição que ele prolonga, é preciso, antes de mais, recuar um passo e contemplar a herança que ele carrega sobre os ombros. Quando Leão XIII publicou a Rerum Novarum em 1891, passando à posteridade como o primeiro Papa a interpelar sistematicamente a ordem econômica moderna à luz do Evangelho, o mundo ocidental vivia a vertigem da Revolução Industrial e do liberalismo manchesteriano, vendo fábricas engolindo crianças, salários de miséria, dissolução progressiva da família operária e o socialismo marxista aguardando, à espreita e com toda a paciência do mundo, para oferecer uma solução que era, como a experiência histórica tratou de demonstrar, remédio incomparavelmente pior do que a doença.

Naquele contexto, o velho Pontífice ousou falar da dignidade inalienável do trabalho, dos direitos do operário e da função social da propriedade, como consequência necessária e inescapável da antropologia cristã fundada na imago Dei. O ato foi corajoso, quase escandaloso para muitos setores conservadores da época, e inaugurou o que hoje chamamos de Doutrina Social da Igreja, esse corpus de sabedoria que, como nenhum outro conjunto doutrinal do século XX, tem o raro mérito de incomodar simultaneamente liberais e marxistas, progressistas e reacionários, cada qual por razões que, tomadas em conjunto, constituem o mais eloquente dos elogios.

O que se seguiu à Rerum Novarum foi uma tradição pela qual logrou a nós a Quadragesimo Anno de Pio XI (1931), que aprofundou o princípio de subsidiariedade, a Mater et Magistra (1961) e a Pacem in Terris (1963) de João XXIII, que ampliaram o horizonte da reflexão social ao contexto da guerra fria e da descolonização, a Populorum Progressio (1967) de Paulo VI, que definiu o desenvolvimento integral como o novo nome da paz e, mais recentemente, a Laudato Si’ (2015) e a Fratelli Tutti (2020) de Francisco, que estenderam o olhar eclesial à crise ecológica e ao déficit de fraternidade no mundo globalizado. Leão XIV retoma o legado dos antecessores tendo consciência do peso que representa e da expectativa que suscita.

Reconstruir Babel ou Jerusalém?

O eixo hermenêutico da encíclica se vale de duas imagens – Babel (Gn 11, 1-9) e a reconstrução das muralhas de Jerusalém por Neemias (Ne 2-6) – e funcionam ao longo de todo o documento como arquétipos das duas possibilidades abertas à humanidade diante da revolução digital. Babel é a tecnologia como projeto de autossuficiência radical, uma língua única, uma direção única, um poder que dispensa qualquer referência transcendente e que pretende, com o orgulho que é sempre a antessala da queda, alcançar os céus por conta própria. E o resultado, paradoxalmente, é a dispersão, a incomunicabilidade e a fragmentação, o exato oposto do que se pretendia construir. Neemias, ao contrário, é a reconstrução paciente, comunitária, em que cada família recebe seu trecho de muralha, cada um contribui com o que tem e onde está, e a cidade renasce pela corresponsabilidade distribuída de todo o povo.

É impossível não reconhecer, por detrás dessa antítese bíblica, a sombra de Santo Agostinho e das duas cidades que estruturam a sua filosofia da história, a Civitas Dei e a Civitas Terrena, que não se dividem geograficamente mas se distinguem pelo amor que as funda[2]. A nova Babel digital pertence à segunda categoria. O que Jacques Ellul chamou de “o fenômeno técnico” é precisamente a tendência da técnica moderna a tornar-se autônoma, a escapar ao controle humano e a impor seus próprios imperativos de eficiência e rendimento como o único critério válido de avaliação de qualquer atividade humana[3].

Sobre isso, somos transportados aos mosaicos da fachada leste do Santuário Nacional, concluída em 2025, na cena da Torre de Babel, donde decorrem as pistas para sua contemplação: “[o] homem quer chegar aos céus, quer chegar a Deus, mas exprime o total individualismo. É por isso que não vemos os seus rostos, porque o verdadeiro motivo dessa construção é a busca pelo poder e pela autoafirmação. A relação entre Deus, o homem e a criação no amor foi perdida”[4]. E mais: “[a] competição entre os trabalhadores faz surgir a incompreensão e a confusão, na forma da criação de diversas línguas e dos pés virados, porque já não sabem mais para onde ir”[5]. A cena em si é uma desordem.

Cena 16. A torre de Babel (Gn 11,1-9). Foto: A12


Leão XIV recusa dois equívocos igualmente perigosos e igualmente fáceis, quais sejam, o do entusiasmo ingênuo, que vê na tecnologia uma redenção imanente e gratuita, dispensada por algoritmos benevolentes, e o do pessimismo estéril, que a condena como ameaça demoníaca, sem distinguir a ferramenta do uso que dela se faz. A técnica, ensina a Magnifica Humanitas, “está enraizada na nossa história desde o início, na medida em que é um dado profundamente humano, ligado à autonomia e à liberdade do homem” (parágrafo 4) mas, na prática, “não é neutra, porque tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam” (parágrafo 9). Eis o nó do problema. Um nó que nenhum regulamento da União Europeia, por mais volumoso e bem-intencionado, conseguirá por si só desatar.

O transumanismo como nova gnose e como velha heresia

O capítulo mais denso e, a nosso juízo, o mais urgente e o mais corajoso da encíclica é o terceiro, dedicado às “narrativas de fundo” que sustentam e legitimam, no plano filosófico e cultural, o projeto tecnológico contemporâneo: o transumanismo e o pós-humanismo. Não é por acaso que Leão XIV os identifica como o adversário intelectual principal a enfrentar, em vez de dizer apenas da mera questão da regulação dos algoritmos ou da proteção de dados pessoais, assuntos importantes mas eminentemente técnicos e, em princípio, solúveis pela via jurídica. Em linhas gerais, o transumanismo é corrente de pensamento que promete a superação definitiva dos limites da condição humana pela via tecnológica, da imortalidade biológica à cognição aumentada, do upload de consciências à engenharia genética de uma nova espécie pós-humana[6].

Por isso, é uma gnose, e não das mais originais. É a crença milenar de que o homem pode, por seus próprios meios e sem o auxílio da graça, superar a finitude que lhe é constitutiva e ascender a uma condição superior, escapando à morte, à dor e à fragilidade que são o preço, e ao mesmo tempo a nobreza, da encarnação. É, no fundo, o pelagianismo [7] vestido de hoodie do Vale do Silício, e Pelágio, como Santo Agostinho soube demonstrar nas páginas do De Natura et Gratia, foi sempre a heresia mais simpática e a mais mortífera de todas, precisamente porque apela ao melhor que há no homem: o desejo de perfeição[8].

Para a encíclica, em Cristo, a humanidade já recebeu o seu verdadeiro “mais que humano” por assunção radical e amorosa dela, de modo que o Verbum caro factum est do prólogo joanino é, e continuará sendo por toda a eternidade, o único salto ontológico verdadeiramente decisivo da história. Nesse sentido, a Magnifica Humanitas recorda, com Santo Agostinho, que “nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Vós”[9], inquietude metafísica que nenhuma interface neural, por mais sofisticada, poderá sanar, da mesma forma que nenhuma lidocaína resolve uma crise espiritual.

Vale aqui uma digressão, para dizer que arte sacra sempre soube disso antes que os filósofos o formulassem, porque contemplou longamente uma verdade antes de tentar dizê-la. É que o ícone, essa janela aberta sobre o invisível que a tradição oriental soube preservar com uma fidelidade que nos envergonha, é, na verdade, um argumento ontológico feito de ouro e pigmento. Quando Urs von Balthasar sustentou que a teologia deveria recuperar a categoria do belo (pulchrum, na terminologia tomista, com sua tríade de integritas, consonantia e claritas) como via de acesso à verdade divina tanto quanto o verdadeiro e o bom[10], estava dizendo em linguagem acadêmica que a beleza é conhecimento e epifania do sagrado. Por esse motivo, nenhum gerador de imagens por inteligência artificial produzirá jamais um ícone, por insuficiência ontológica, porque produzir uma imagem sobre Deus não é o mesmo que contemplar a Deus, e o ícone só nasce de um coração que fez essa distinção e pagou o preço dela[11].

Romano Guardini havia antevisto que o homem da era técnica correria o risco de tornar-se escravo daquilo que julgava dominar, quando escreveu:

[o]s tempos modernos gostam de fundamentar as normas da ciência na sua utilidade para o bem estar do homem. Assim se ocultaram as devastações produzidas pela ausência de escrúpulos. Creio que o futuro falará doutra maneira. O homem sabe que, em última análise, o que está em jogo na técnica nem é a utilidade nem o bem estar, mas o domínio; domínio no sentido mais extremo da palavra que se exprime numa nova forma do mundo. Procura compreender os elementos da natureza e da existência humana. Isto significa possibilidades insuspeitadas de construir mas também de destruir, sobretudo quando se trata da natureza humana, muito menos fixa e segura de si do que se pensa geralmente. Perigo absoluto também, que cresce até ao imensurável, de ser o Estado anónimo quem realiza esse domínio. Assim a relação com a natureza traz o carácter de uma decisão extrema: ou o homem consegue realizar correctamente a obra de dominação – e então esta será imensa – ou tudo estará acabado [12].

Nos mosaicos da fachada norte do Santuário Nacional, concluída em 2022, na cena da escravidão hebraica no Egito, vê-se os hebreus curvados sob o peso dos tijolos, que são ali descritos pelo próprio Santuário como homens transformados em máquinas. Diz o texto explicativo: “[o] trabalho forçado despersonaliza, torna o homem uma máquina e não mais uma pessoa”[13]. E mais: “[e]les trazem na cabeça tijolos que fabricavam, símbolos da Torre de Babel”[14].

Cena 6. A escravidão do povo hebreu no Egito (Êx 1,8-11). Foto: A12


Por isso, a tentação de substituir a liberdade pela eficiência, a comunhão pela conectividade e a contemplação pelo processamento de dados seria a tentação específica, e talvez a mais sutil, do século que de Romano Guardini se aproximava, tanto que chegou. O transumanismo, nessa tipologia, é a forma paroxística e tecnológica do humanismo, em que substitui-se Deus não pelo Homem em geral, mas pelo Homem Aumentado em particular, o que é, no fundo, uma forma ainda mais estreita e mais perigosa de idolatria. Pascal havia diagnosticado a patologia muito antes que houvesse data centers para abrigá-la: “o homem não é nem anjo nem besta, e o infortúnio quer que quem quer fazer o anjo faz a besta”[15].

O que a encíclica propõe, afinal

Acerca do seu significado, nos é ensinado que, “embora não sejam documentos infalíveis por si só, as encíclicas podem (e geralmente contêm) pronunciamentos sobre fé e moral que são de fato infalíveis porque expressam o ensinamento ordinário da Igreja”[16]. Nesse sentido, a Magnifica Humanitas é honesta sobre seus limites e decididamente ambiciosa em seus princípios[17].

Os cinco capítulos percorrem um arco argumentativo que vai da fundamentação antropológica do homem como imago Dei às consequências práticas, em que debruça-se sobre (i) a dignidade do trabalho na transição digital, com uma crítica implícita mas inconfundível ao desemprego tecnológico tratado como destino inelutável, quando é, na verdade, uma escolha política; (ii) a verdade como bem comum numa era de desinformação algorítmica e de deep fakes que corroem a confiança e, com ela, a própria possibilidade da vida democrática; (iii) a liberdade ameaçada pelas novas formas de dependência e controle social, e aqui Alexis de Tocqueville, que descreveu no século XIX o despotismo suave e paternalista da democracia igualitária[18], ficaria estarrecido, ou talvez apenas confirmado, ao constatar quanto poder os algoritmos de recomendação exercem, sem violência e quase sem que se perceba, sobre a atenção, os desejos e as opiniões de centenas de milhões de pessoas; e, por fim, no capítulo que mais certamente causará desconforto nas chancelarias e nos complexos militares-industriais do mundo, (iv) a condenação clara e sem eufemismos do uso da inteligência artificial em sistemas de armamento autônomo.

A Igreja não pede que paremos as máquinas. Pede, isso sim, que lembremos quem somos antes de ligá-las, e que essa memória de nós mesmos – que é, no fundo, memória de Deus – seja o critério último de todo discernimento. “Não tenhamos medo de sujar as mãos no canteiro de obras do nosso tempo”, diz o parágrafo 16 da encíclica, mas sejamos “construtores de comunhão, não arquitetos de Babel”.

Por mais que os profetas do Vale do Silício queiram convencer-nos do contrário, o transumanismo é também espiritual. E é, por isso mesmo, uma questão que nenhum algoritmo, por mais poderoso que seja, poderá jamais resolver em nosso lugar, ainda que alguns de seus criadores, animados pela fé robusta que é o traço mais característico dos tecno-otimistas do nosso tempo, estejam absolutamente convictos do contrário.

[1] Uma encíclica é um “documento papal que trata de matérias relacionadas ao bem geral da Igreja, enviado pelo papa aos bispos. Utilizado especialmente nos tempos modernos para expressar o pensamento do papa ao povo” (HARDON, Jhon. Catholic Dictionary: an abridged and updated edition of Modern Catholic Dictionary. Nova Iorque: Image Books, 2013, p. 151, tradução nossa).

[2] “Dois amores fizeram as duas cidades: o amor a si, até ao desprezo de Deus, a terrestre; o amor a Deus, até ao desprezo de si, a celeste” (AGOSTINHO, Santo. A cidade de Deus. Tradução: E. L. de Souza Campos. Niterói: Teodoro Editor, 2022, p. 1013).

[3] “A técnica não suporta nenhum julgamento, não aceita limitação alguma. […]. Não precisa mais temer qualguer limitação, pois está situada além do bem e do mal. Pretenderam durante muito tempo, que fazia parte dos objetos neutros; atualmente não é mais útil; seu poder, sua autonomia acham-se tão bem estalebecidos que ela se transforma por sua vez em juiz da moral, em construtora de uma nova moral. E nisso também desempenha seu papel de criadora de uma civilização. Uma moral interior à própria técnica, segura de que nada terá a sofrer com isso. Seu curso não será desviado. Seja como for em relação à moral tradicional, a técnica afirma-se um poder independente, Apenas o homem […] está sujeito ao julgamento moral, Não estamos mais nessa época primitiva na qual as coisas eram boas ou más em si mesmas. A técnica nada é em si. Logo, pode tudo fazer. É realmente autônoma” (ELLUL, Jacques. A técnica e o desafio do século. Tradução: Roland Corbisier. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968, p. 136).

[4] Cf. explicação sobre a fachada leste. Disponível em: https://www.a12.com/santuario/arte-que-evangeliza/fachada-leste. Acesso em: 29 mai. 2026.

[5] Ibidem.

[6] Sobre isso, cf. ROSS, Benjamin. The philosophy of transhumanism: a critical analysis. Bingley: Emerald Publishing Limited, 2020, p. 126 et seq.

[7] Heresia cristã do século IV, iniciada pelo monge Pelágio, que negava a existência do pecado original.

[8] Cf. in passim: AGOSTINHO, Santo. A natureza e a graça. Tradução: E. L. de Souza Campos. Niterói: Teodoro Editor, 2018. Agostinho reconhece o bom coração de Pelágio (o desejo de perfeição), mas gasta o restante do livro provando que esse otimismo humano é uma armadilha mortal.

[9] AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução: J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina. Niterói: Teodoro Editor, 2024, p. 4.

[10]La belleza, que (como hoy aparece bien claro) reclama para sí al menos tanto valor y fuerza de decisión como la verdad y el bien, y que no se deja separar ni alejar de sus dos hermanas sín arrastrarlas consigo en una misteriosa venganza. De aquel cuyo semblante se crispa ante la sola mención de su nombre (pues para élla belleza sólo es chuchería exótica del pasado burgués) podemos asegurar que – abierta o tacitamente – ya no es capaz de rezar y, pronto, ni siquiera será capaz de amar” (BALTHASAR, Hans Urs von. Gloria: una estética teológica. v. 1. Madri: Ediciones Encuentro, 1985, p. 22-23),

[11] Sobre o sentido do ícone, cf. TOMMASO, Wilma Steagall de. Ícone: origem, tradição e contemporaneidade. Off Lattes, São Paulo, 13 abr. 2021. Disponível em: https://offlattes.com/archives/8387. Acesso em: 28 mai. 2026.

[12] GUARDINI, Romano. O fim dos tempos modernos. Tradução: M. S. Lourenço. Lisboa: Livraria Morais Editora, 1964, p. 77-78.

[13] Cf. explicação sobre a fachada norte. Disponível em: https://www.a12.com/santuario/arte-que-evangeliza/fachada-norte. Acesso em: 29 mai. 2026.

[14] Ibidem.

[15] No original: “L’homme n’est ni ange ni bête, et le malheur veut que qui veut faire l’ange fait Ia bete” (PASCAL, Blaise. Pensées. 2ª ed. Paris: J. M. Dent, 1919, p. 150, tradução nossa).

[16] No original e na íntegra: “Although of themselves not infallible documents, encyclicals may (and generally do) contain pronouncements on faith and morals that are ‘de facto’ infallible because they express the ordinary teaching of the Church. In any case, the faithful are to give the papal encyclicals their interior assent and external respect as statements of the Vicar of Christ” (HARDON, Jhon. Catholic Dictionary: an abridged and updated edition of Modern Catholic Dictionary. Nova Iorque: Image Books, 2013, p. 151, tradução nossa).

[17] Quanto aos limites, reconhece-se explicitamente, no parágrafo 28, não poder sistematizar toda a tradição do magistério social anterior, e, no parágrafo 4, admite-se que os impactos das novas tecnologias “não podemos ainda antever plenamente”. Quanto aos princípios, o Capítulo II os enuncia em sequência: bem comum, destinação universal dos bens, subsidiariedade, solidariedade e justiça social.

[18] TOCQUEVILLE, Alexis. De la démocratie en Amérique. v. 3. 15ª ed. Paris: Michel Lévy Frères, 1868. Em 1831, Tocqueville viajou aos Estados Unidos para analisar o sistema prisional e a sociedade. Ele percebeu que a democracia, além de ser uma forma de governo, era também um estado social marcado pela igualdade de condições. Ele elogiou o associativismo e a descentralização, mas alertou que a busca cega pela igualdade poderia levar a uma sociedade de indivíduos isolados e submissos a um Estado todo-poderoso.

Imagens fornecidas pelo autor

Sobre o autor

Davi Ferreira Avelino

Advogado. Graduado em Direito pela Universidade Católica do Salvador, tendo realizado parte dos estudos na Universidade do Porto, em Portugal, e na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália. Pesquisador do grupo A palavra é imagem: arte sacra contemporânea - história e religião do LABÔ.