Como podemos manter um distanciamento discreto em relação a um escândalo de corrupção que se vale dos salários dos aposentados?
Behavior
Coluna semanal sobre comportamento político assinada por Fernando Amed.
Coordenador do grupo de pesquisa sobre Comportamento Político do LABÔ, Amed é Doutor em História Social pela USP e professor da Faculdade de Comunicação da Faap e do curso de Artes Visuais da Belas Artes de São Paulo.
Países como o nosso revelam sua empatia com o autoritarismo até mesmo na democracia. Nosso país somente pode ser bem configurado a partir das figuras de linguagem.
Quando conhecemos o que é correto a ser feito, investimos mais no errado. Naturalizamos o crime de tal maneira que viver em nosso país é um exercício constante de aceitação das ilicitudes.
As atuais democracias têm facultado o espaço para o outsider de tal forma que estamos nos acostumando com possibilidades que, mesmo parecendo absurdas, levam à suspeita de que sejam verdadeiras.
Nossa mídia e a dos Estados Unidos tiveram vida boa enquanto a política era capitaneada pela esquerda: até nas festas, jantares e teatros todos se encontravam.
Preocupados com a crise da democracia e com as supostas tentativas de golpe de Jair Bolsonaro ou de Donald Trump, que deixamos passar de um modo oportuno muito do que está ocorrendo debaixo de nossos narizes.

