Revista Laboratório Temática – A imagem de Deus: Religião, História e Arte

Arte Barroca do Norte do Brasil – Igreja de S. Francisco Xavier do Colégio Jesuítico de Sto. Alexandre

Introdução

O Barroco surge no Brasil com as formações das primeiras missões jesuíticas, na região Norte do país, no século XVII. Os portugueses trouxeram consigo as missões jesuíticas incumbidas de catequisarem os índios e servirem de instrumento para a evangelização em toda a América Latina. A Companhia de Jesus chega a Salvador (BA) e a São Vicente (SP) no ano de 1549, em 1616, dá-se a fundação do Forte do Presépio, na Baia de Guajará, origem da cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará.

Esta fortificação tinha a função de proteger a região do Amazonas contra as incursões de holandeses e ingleses; em 1622 marca a chegada dos jesuítas à Capitania do Grão Pará e, em 1653 a entrada dos jesuítas na Amazônia portuguesa. Tais missões desbravaram o rio Amazonas com a fundação de comunidades, deixando traços da cultura europeia e os princípios da religião católica com relevância nas regiões do Marajó e Tapajós. Isto se faz para a consolidação da religião católica e domínio português.

O Barroco é deslocado da Europa para o continente americano e aqui, em contato com indígenas, escravos africanos de diversas etnias, com paisagens díspares que contradiziam todo modus vivendi europeu neste período, transforma-se em uma matriz cultural de linguagem comum com muitas contribuições plásticas ao longo de três séculos de experiência colonial. Estes contingentes de pessoas tornam-se os agentes produtores junto aos jesuítas, e são os responsáveis por grande parte do acervo Barroco produzido em diversas regiões do Brasil. É na região Norte, na cidade de Belém, onde se encontram reunidos importantes ícones cristãos e quase todo o complexo arquitetônico deste período.

Uma vez instalados, os jesuítas voltaram-se à educação e, movidos pelas necessidades, acabaram sendo os mais empreendedores entre os primeiros construtores da Colônia. A Companhia de Jesus procurou adaptar-se a todas as realidades históricas, a todas as tradições culturais e a todas as condições sociais. A Arte teve seu ancoradouro na religião – a beleza e a arte se entrelaçam e permanecem assim por longos períodos na História da Arte brasileira.

No caso do Barroco, quando o estilo se estabelece no Brasil com a finalidade específica de arte litúrgica, consequentemente, ele se apresenta também como um fato artístico. O arquiteto Lúcio Costa, um dos principais historiadores e pesquisadores do Barroco brasileiro, identifica um “espírito jesuítico” como o verdadeiro estilo dos padres da Companhia. Para o arquiteto, as obras da Companhia de Jesus representam “o que temos de mais antigo”. Os jesuítas desenvolveram a arte e a arquitetura durante os dois primeiros séculos da colonização brasileira e, com base nisso, cunhou-se a expressão “estilo jesuítico”para descrever a fase da arquitetura e decoração do período colonial, que também abrange obras sem ação direta dos jesuítas. Segundo Lúcio Costa, “[…] quando se fala aqui em ‘estilo jesuítico’ o que se quer significar, de preferência, são as composições mais renascentistas, mais moderadas, regulares e frias, ainda imbuídas do espírito severo da Contrarreforma” (COSTA, 1941, p. 11).

Lúcio Costa afirma em seus estudos que o que se denomina “arte jesuítica”é toda a produção sacra do século XVI até o XVIII, acrescentando que há diferenças evidentes de estilos, de características locais, de materiais, de técnicas que se transformam no tempo e lugar. O tempo impõe sua diversidade e é imperioso o trato dessas diferenças. Entretanto, há um fio tênue que as une, há um traço característico de “arte jesuítica” e há um “espírito jesuítico” nas obras. Na Igreja de São Francisco Xavier do Colégio de Santo Alexandre em Belém, o arquiteto vê aspectos “não jesuíticos”.Assim, há que se conceituar melhor essa questão. Na região do Grão Pará, os jesuítas ficaram mais apegados ao estilo sóbrio e comedido do Renascimento, a simplicidade arquitetônica toma formas singelas, limpas e despidas de elementos rebuscados.

No Brasil, o Barroco incorpora novos sentidos e – tal como uma onda no mar, que depois de bater na praia retorna em sentido contrário – diferentemente do que sucedeu na Europa, tornou-se híbrido, conforme a cultura local de seus habitantes. As relações dos jesuítas com os povos indígenas, os negros e os mestiços criam o hibridismo cultural, como somatória em um processo enriquecedor, com peculiaridades próprias, a que chamamos de Barroco Mestiço. É a expressão de uma sociedade contraditória como tendem a ser todas as sociedades que foram colonizadas na América Latina.

Igreja e Colégio de Santo Alexandre

Em 1616, os jesuítas se instalam na cidade de Belém, no bairro da Campina, onde fixam residência e constroem uma capela, com um único altar, feita em taipa (barro e areia), coberta de palha, dedicando-a a São Francisco Xavier. Contudo, no ano de 1668, devido à precariedade e à necessidade, iniciaram a construção de uma igreja, com mão de obra indígena, negra e mestiça, finalizada em 1719, tendo como santo devocional Santo Alexandre. A dedicação ao santo deveu-se ao fato de que ali abrigavam as relíquias do mártir, que haviam sido doadas pelo papa Urbano VIII. Posteriormente, em meados do século XVII, foi erguido o Colégio em homenagem ao mesmo santo, em estilo Barroco, que vem a ser hoje um único complexo: Igreja e Colégio de Santo Alexandre.

Imagem 1 – Fachada da Igreja da Igreja de São Francisco Xavier do Colégio Jesuítico de Santo Alexandre – Belém do Pará, PA – 2015 (Selma Mansur Baptistão)


A descrição, neste artigo, da execução da construção dessa igreja, bem como sua planta, os seus adornos, os seus escultores, operários e os seus materiais, será feita com base no inventário da igreja, elaborado pouco antes de sua inauguração. Esta pesquisa incluiu levantamentos de alguns dados que foram catalogados pelos escritos de Alberto Lamego (Coleção de Manuscritos Alberto Lamego), que se encontra no IEB-USP (Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo) e os levantamentos de dados fornecidos por diversos historiadores. Com essas informações históricas, é possível mensurar a importância desta igreja e o seu Colégio na história do Barroco da região Norte do País.

As técnicas empregadas e as habilidades práticas foram descritas em um inventário feito por jesuítas para a Companhia de Jesus, e que está conservado no acervo na Igreja de Santo Alexandre. Inventário é um documento contendo análises e observações na construção da igreja e seus adornos, elaborado por alguns jesuítas que viveram nestas regiões do Grão Pará desenvolvendo seus ofícios, como João Daniel, João Felipe Bettendorff, o alemão Anselmo Eckart e João Xavier Traer.

A habilidade nos trabalhos de entalhe demonstrava a intimidade que os índios possuíam com as madeiras e palmeiras abundantes nas florestas. No tocante aos materiais e utensílios, as tintas eram elaboradas com pigmentos vegetais e minerais, as ferramentas utilizadas para esculpir eram confeccionadas com dentes de cotias, as lixas da pele de arraias e os pincéis de plumas de jacamim ou de acará branco, que serviam tanto para pintar as cuias que adornavam o altar da igreja quanto as paredes e talhas[2], tornando mais vivaz a arte sacra. João Daniel (1720) descreve: “as flores e frutas como um tesouro multicolorido descoberto na fauna e flora que produziam um visual novo e original àquela missão jesuítica”.Nesses inventários, também é possível ver uma mistura de raças: índios, cafuzos, negros, em grande parte escravos, trabalhando como oficiais nas obras do Colégio do Pará. Na relação de oficiais estão os pedreiros, escultores vindos das fazendas relativamente próximas a Belém.

Imagem 2 – Pintura do teto da Sacristia da Igreja de São Francisco Xavier do Colégio Jesuítico de Santo Alexandre – Belém do Pará, PA – 2015 (Selma M. Baptistão)


João Xavier Traer – jesuíta natural de Brixen, no Tirol (atual Áustria), escultor e pintor proveniente do Colégio de Viena, autor de várias imagens e retábulos produzidos na igreja e Colégio – montou uma oficina com muitas ferramentas trazidas da Europa e ministrou o ofício aos índios e negros. Segundo João Daniel, em seus escritos:

[…] no Colégio dos Padres da Companhia, na cidade do Pará, estão uns dois grandes anjos por tocheiros, com tal perfeição, que servem de admiração aos europeus, e são a primeira obra que fez um índio daquele ofício, e se a primeira saiu de tal primor, que obras primas não faria de dar anos no ofício (DANIEL, 1720, p. 187).

Anjos tocheiros (portadores de tochas) ainda existem e podem ser vistos no Museu do Colégio. Traer, mestre e orientador dos trabalhos executados, vê-se diante de um naturalismo indígena que conduz à inspiração nas florestas para criarem as alegorias que seriam esculpidas nas obras internas da igreja. Os pássaros, as folhagens e os frutos nativos substituem as protocolares folhas de acanto, cachos de uvas e aves que são usadas como elementos decorativos nas peças, assim, fornecendo significado simbólico dentro da liturgia cristã, algo que vem a tornar-se uma das características do Barroco no Brasil.

Imagem 3 – Anjo Tocheiro – 140 cm. altura, Colégio Jesuítico de Santo Alexandre – peça que se encontra no Museu de Arte Sacra do Pará, Belém do Pará, PA – 2015 (Selma M. Baptistão)


Apesar da origem não ibérica deste mestre escultor, os retábulos das capelas laterais e da capela-mor da igreja são tipicamente portugueses. Os jesuítas traziam consigo, na base de seus conhecimentos e de suas obras, a influência de seus países de origem e, nem sempre, puderam aplicá-los porque a Coroa Portuguesa prevaleceu nas obras mais significativas, como os altares e os retábulos. Acreditamos que esse fato deva ser um determinante nas obras no ciclo do Barroco. Na Contrarreforma, a liberdade de expressão e as influências formativas do autor, sobre as suas obras, passaram a ser tomadas e determinadas pelas regras estabelecidas durante o período do Concílio de Trento.

[…] O Concílio de Trento, em sua última sessão, de dezembro de 1563, promulgou o decreto De invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum et de sacris imaginibus que durante séculos vai direcionar a atitude da Igreja diante da arte sacra. Este decreto legitimava a exposição e a veneração das imagens em lugares de culto. Deixava claro que a devoção dos crentes deveria dirigir-se aos santos e não às suas representações. Aos padres cabia a tarefa de instruir os fiéis para acabar com as extravagâncias e de não introduzir em suas igrejas nenhuma imagem nova sem consultar seus superiores, os bispos (TOMMASO, 2013, p. 217).

Consta no inventário que, no final do século XVII, o colégio contava com uma biblioteca extremamente importante, com cerca de 2000 livros, juntamente uma oficina de encadernação. Nesse local, à frente da porta da biblioteca, há uma obra de talha com a imagem de Jesus e, próximo a ela, há um nicho com guarnição de talha, com a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços – aos pés desta imagem está escrito Sedes Sapientiae.

Arquitetura do Colégio e Igreja de Santo Alexandre

A construção da igreja foi realizada com menos rigor técnico devido à mão de obra indígena empregada. Ao seu lado, como continuidade, está a construção do Colégio da Igreja de Santo Alexandre, com as mesmas características e com exterior de uma sobriedade bem peculiar. O projeto é muito semelhante, apesar da escala ser mais modesta, ao da Igreja Jesuítica de São Salvador – Bahia, construída entre 1652 e 1672.

A fachada da Igreja de Santo Alexandre tem quatro andares de altura, sendo encimada por um frontão[3] formado por duas volutas[4] que se unem ao topo, onde há uma cruz. Os nichos do frontão eram ocupados por estátuas de santos, hoje perdidas. O acesso ao templo é feito por três portais, no primeiro piso, também decorados com volutas. As pilastras verticais da fachada encontram-se decoradas em estilo maneirista[5], em alto relevo, que criam interessantes efeitos de luz e sombra. O corpo central da fachada é ladeado por duas torres recuadas, ficando inclusive escondidas atrás das enormes volutas do frontão. O interior da igreja segue o mesmo padrão da de Salvador, com nave única, falsa abóboda semicilíndrica em madeira e com transepto[6] não pronunciado, capelas laterais (quatro de cada lado) e uma grande sacristia que ocupa o lado esquerdo da capela-mor, ao invés de se posicionar atrás dela. Destacam-se, em seu interior, as obras de arte em talha, de autoria de João Xavier Traer e sua oficina de escultores, especialmente os dois púlpitos decorados com anjinhos. Destaque também aos retábulos[7] em talha na capela-mor e nas capelas laterais.

Imagem 4 – Fachada da Igreja de São Francisco Xavier do Colégio Jesuítico de Santo Alexandre – Belém do Pará, PA – 2015 (Selma M. Baptistão)
imagem 5 – Púlpitos laterais no interior da Igreja de São Francisco Xavier do Colégio Jesuítico de Santo Alexandre – Belém do Pará, PA – 2015 (Selma M. Baptistão)


Atualmente, o Colégio e Igreja de Santo Alexandre e todo seu complexo foram restaurados e não têm mais função paroquial, sendo usados apenas para visitação e eventos de músicas clássicas, palestras e casamentos que contribuem na manutenção deste patrimônio. O espaço foi doado pela Arquidiocese para essa nova função, que é de abrigar no Colégio o Museu de Arte Sacra de Belém, e a manutenção do prédio é feita com os eventos na igreja.

A Igreja de Santo Alexandre representa a presença e passagem dos jesuítas pelo Norte do país, que trouxeram consigo a arte Barroca, como forma de catequisar os povos indígenas e avançar com os colonizadores em territórios distantes. Naquele período, o Brasil experimentava grandes dificuldades nas relações com os indígenas, e a vinda das missões contribuíram para uma confluência cultural como consequência natural na evangelização dos nativos.

Padre Antonio Vieira, tendo visto o histórico de conflitos instalados entre os colonos e as missões dos franciscanos e jesuítas em relação ao controle dos povos indígenas, sabia da necessidade de fazer concessões às missões e, deste modo, evitar tensões que estorvassem os planos de evangelização na região e propagar a fé cristã entre os indígenas. A arte Barroca, nesse caso, serviu de elo nessas relações e nas conquistas espirituais dos nativos da região.

Arte Barroca e a Arte Religiosa no Brasil

No processo colonizador pelo qual o Brasil passou, as ligações e as parcerias tiveram enorme importância ao ensinarem as técnicas europeias que, aglutinadas às dos índios e negros, criou uma identidade própria e peculiar na construção da cultura brasileira.

Em Roma, o Concílio de Trento (1545-1563) estabeleceu o seguinte:

[…] Roma reforçou sua postura tradicional sobre os sacramentos e reafirmou a utilidade das imagens como incentivos à devoção e meio de salvação. Enfatizou, no entanto, que os sujeitos de tais imagens deveriam ser honrados e venerados, mas não adorados (TOMMASO, 2017, p. 160).

A Contrarreforma, também chamada de Reforma Católica, foi uma resposta da Igreja Católica Romana à Reforma Protestante. Dela participou a Companhia de Jesus, que estabeleceu missões na Ásia e na América, para catequisar o que tinha por base e o que foi determinado pelo Concílio de Trento. A arte resultante do Concílio de Trento, que chamamos de Barroco, chegou ao Brasil com as missões jesuíticas presentes nas reduções organizadas do Norte ao Sul do Brasil. As missões tinham por objetivo realizar algo previamente estabelecido, nesse caso, a catequese católica. As reduções foram os aldeamentos indígenas organizados e administrados pelos jesuítas para orientar e educar e, deste modo, passamos a chamar estes prédios construídos para este fim, destacando-se aqueles nas regiões do Pará, Maranhão e Rio Grande do Sul.

Considerações finais

Nestas considerações finais, elencamos alguns aspectos que consideramos importantes dentro do cenário artístico religioso do Brasil. A beleza do estilo sobre o qual discorremos ao longo deste artigo é muito peculiar em sua essência, pois mostra a maneira como os artistas trabalharam a talha, a douração e as pinturas, dentre outros. São a identidade brasileira: plural e inventiva.

Trata-se de uma arte que interliga a escultura e a arquitetura numa mesma linguagem plástica, com fortes contrastes de sombra e luz. As curvas, contracurvas[8] e as colunas retorcidas garantem um efeito visual decorativo intenso e dramático. Como exemplo, os sentimentos que a dramaticidade plástica que os dois púlpitos e o altar-mor da Igreja de Santo Alexandre causam ao observador – vemos que o emocional supera o racional na intenção de surpreendê-lo. Para isso, os artistas abusaram das técnicas realistas, exaltando os sentidos que as obras expressavam.

A arte e a religião abrangem a representação da busca do homem por algo maior e divino em que possa justificar sua existência, a arte Barroca se vale da opulência e do exagero para enfatizar a grandeza da sua fé, fazendo uso de contrastes e paradoxos.

O jesuíta João Traer comandou a sua oficina por trinta anos (1705-1737) e, no período de construção da igreja e do colégio, contou com o auxílio de três homens: um português, Marçal, um indígena, Angelo, e um mestiço, Faustino, todos vindos da Fazenda de Gibrié, no Pará. Os artífices demonstraram habilidades e intimidade com os materiais, que não eram novidade para eles, e, com as técnicas aprendidas com Traer, produzem belas obras de talha na oficina das Missões no Pará.

O meio físico e social determina a finalidade do espaço, suas funções, necessidades e condiciona as técnicas que são fruto do ambiente que se deseja criar. Traer ensina suas técnicas e seus modelos iconográficos europeus. Com esta informação, somada às tradições tão diferentes desses artífices, índios e europeus, criaram e geraram um conjunto de obras de grande relevância que impressiona pela força expressiva que demonstra. A sua originalidade quanto à execução e à sobriedade destas obras são fatores presentes que as diferenciam de obras de outros locais do Brasil.

Desse modo, podemos pensar que a arquitetura e escultura das igrejas barrocas contrastam entre si, e, ao mesmo tempo, se estabelecem como linguagem artística de características brasileiras. Essa arte, por sua diversidade, está ligada à liberdade de composição que se propõe ao desejo de criá-la, é a expressão de seu tempo e de seu lugar.

Encerramos com um parecer de Lúcio Costa, grande conhecedor da arte e arquitetura barroca brasileira:

[…] Na composição e na talha de uns e de outros (os numerosos altares e principalmente os púlpitos de Santo Alexandre), observa-se o mesmo acento bárbaro referido anteriormente, quando aludimos à arquitetura dessa igreja. Mas, apesar da técnica grosseira, de que resultou, por vezes, um aspecto quase grotesco, apesar da falta de escala e de meia-tinta, o arrojo plástico e o sentido apaixonado da concepção dos púlpitos revelam um tal fervor, tamanho arrebatamento, que a sua análise não cabe dentro dos limites comedidos de uma crítica objetiva. A impetuosidade com que as formas irrompem pela parede acima tem mesmo qualquer coisa de telúrico, fazendo lembrar esculturas hindus talhadas sobre encosta de montanha. (COSTA, 1941, p 138).

Imagens 6 e 7 – Retábulo do altar e detalhes no interior da Sacristia da Igreja de São Francisco Xavier do Colégio Jesuítico de Santo Alexandre – Belém do Pará, PA – 2015 (Selma M. Baptistão)

Bibliografia

ALMEIDA MARTINS, Renata Maria de. Uma Cartela Multicolor: objetos, práticas artísticas dos indígenas e intercâmbios culturais na Missões Jesuíticas da Amazônia Colonial, EN Caiana, Revista de História del Arte y Cultura Visual del Centro Argentino de Investigadores de Arte (Caia), Nº8 | Primer Semestre 2016, pp. 70-84.

BURY, John. Arquitetura e Arte Brasil Colonial. Monumenta, IPHAN 1 ed., 2006, p.74-83.

COSTA, Lúcio. Arquitetura Jesuítica no Brasil. Revista do SPHAN, (Rio de Janeiro) nº 5, 1941.

DANIEL SJ., João. Manuscrito do Catálogo do Colégio de Santo Alexandre, 1720.

TOMMASO, Wilma Steagall de. O Pantocrator de Claudio Pastro: Importância e Atualidade. PUC-SP, 2013.

TOMMASO, Wilma Steagall de. O Cristo Pantocrator – Da origem às Igrejas no Brasil, na obra de Cláudio Pastro. São Paulo: Paulus, 2017.

Notas

[2] Talha é uma técnica escultórica em que a madeira é talhada (esculpida) e posteriormente dourada.

[3] Frontão é conjunto arquitetônico de forma triangular que decora o topo da fachada. 

[4] Volutas é a forma do ornamento em espiral e em forma de pergaminho que constitui a base da coluna Jônica. 

[5] Maneirista, em linhas gerais, caracteriza-se pela valorização e originalidade das interpretações individuais, pela complexidade de suas formas, pelo artificialismo no tratamento de seus temas com o intuito de ter mais emoções. 

[6] Transepto é a parte do edifício que atravessa perpendicularmente o corpo principal e dá ao edifício a forma de cruz. 

[7] Retábulos são uma estrutura em madeira ou outro material que ficam por trás ou acima do altar, com painéis pintados ou em relevo. 

[8] Contracurvas são curvas que terminam um arco, côncavas e convexas, que se prolongam em direção contrária à dele formando um outro arco. 

Sobre o autor

Selma Mansur Baptistão Lerro

Licenciada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes, SP. Pós-graduada em Arte/Educação, Especialização no Barroco Brasileiro – Centro Universitário SENAI. Especialista em técnicas e procedimentos pictóricos e construção dos sentidos da Arte e Literatura, com Ubirajara Ribeiro. Extensão Universitária em Virtuosos do Invisível: A imagem de Deus na História da Arte, Faculdades de Ciências Sociais PUC/SP. Pesquisadora do grupo A imagem de Deus: Religião, História e Arte do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP–LABÔ.